FC ConcursosFC Concursos

Questão FC654742

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Instintos e (des)civilização Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Instintos e (des)civilização

 

Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta as duas guerras mundiais, talvez menos do que pareça. O padrão é conhecido: situações de conflito armado, morticínios, cataclismos naturais, migrações dramáticas, colapsos econômicos agudos. São fatos que revelam a fragilidade da fina superfície de civilidade e decoro sobre a qual assenta a nossa civilização.

 

Sob o impacto do abalo provocado por desastres como esses, o comportamento das pessoas sofre uma drástica mutação: enquanto alguns, em geral poucos, agem de forma solidária e até mesmo heroica, a maior parte da população atingida regride a um estado de violência e selvageria no qual a lógica do “salve-se quem puder” deságua na rápida escalada dos furtos, assaltos, saques, crimes e vandalismo. Quase que num piscar de olhos, o cordato cidadão civilizado se transforma em besta feroz, capaz das piores atrocidades.

 

Como entender esse perturbador fenômeno? A interpretação usual propõe um modelo conhecido: o ser humano no fundo é um animal selvagem e terrível. Remova os sustentáculos elementares da ordem civilizada; dispa a camisa de força social; suspenda, ainda que brevemente, a vigilância e a ameaça de punição aos infratores do código legal, e, em pouco tempo, retrocedemos ao “estado natural” e à “guerra de todos contra todos”. Os episódios de regressão à barbárie seriam, em suma, o psiquismo arcaico do animal humano posto a nu. É essa uma tese tão aceita quanto controversa: o que vem à tona não é mais o homem natural e primitivo; trata-se agora do “descivilizado”, livre das amarras civilizatórias e preso a um novo psiquismo violento. A “natureza” que já fora expelida traz agora, em seu retorno, as marcas e as feridas de sua violenta expulsão.

 

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 125-126)

 

A supressão da vírgula altera o sentido da frase:

  1. O autor do texto se espanta com eventos de violência, que ameaçam a fragilidade da nossa idealizada civilização.
  2. Desde há muitos anos, a escalada dos conflitos sociais e do autoritarismo só faz crescer.
  3. Como entender esses fenômenos, que vêm ameaçando as expectativas de uma vida social mais equilibrada?
  4. Durante alguns séculos, imaginou-se que o processo civilizatório implantado no Ocidente era irreversível.
  5. Ao se removerem todos os freios de nossos instintos, nos depararemos com a nossa verdadeira natureza selvagem.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta porque a vírgula antes de que determina o tipo de oração subordinada adjetiva. Quando existe a vírgula, a oração que ameaçam a fragilidade da nossa idealizada civilização funciona como oração adjetiva explicativa, isto é, acrescenta uma informação sobre os eventos de violência como um todo, sem restringi-los.

Se a vírgula for suprimida, a oração passa a ser restritiva, identificando apenas os eventos de violência que ameaçam a fragilidade, o que altera o sentido pretendido pelo autor. No contexto do texto, o uso da vírgula expressa a ideia de assombro diante de eventos de violência que, em geral, ameaçam a frágil civilização; por isso a presença da vírgula é decisiva e justifica a escolha da alternativa.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo