Questão FC654750
O anel que tu me deste Não guardei nem esqueci Ele nunca se quebrou Fui eu que me perdi O anel que tu me lembras Meu escuro escondeu Ele nunca se partiu Quem partiu de si fui eu Eu
Regência
FCC · 2025
O anel que tu me deste
Não guardei nem esqueci
Ele nunca se quebrou
Fui eu que me perdi
O anel que tu me lembras
Meu escuro escondeu
Ele nunca se partiu
Quem partiu de si fui eu
Eu ainda não sabia
Que existia o puro dom
Que era feito de verdade
Desapego e solidão
Tudo então que nos unia
Numa voz e uma canção
Nele brilha solitário
Diamante escuridão
Sob a luz estroboscópica
Do agito de um salão
Que ainda dança a nossa volta
Com as décadas que se vão
Retiraste de teu dedo
Sem nenhuma hesitação
e o puseste com cuidado
Na palma da minha mão
Era a luz alucinada
De um estranho festival
Nada ali anunciava
O teu gesto e o cristal
O amor que tu me tinhas
Não tem nome nem lugar
Luz que vem da mesma liga
Do anel a nos ligar
(O anel - José Miguel Wisnik)
A classificação do verbo - como de qualquer palavra - depende da situação em que se acha empregado na frase. Muitos verbos, de acordo com os vários sentidos que podem assumir, ora entram no grupo dos verbos de ligação, ora são transitivos (diretos ou indiretos), ora intransitivos.
(Adaptado de: Bechara, Evanildo (2018-10-30T22:58.59.000). Lições de Português pela Análise Sintática. Nova Fronteira, edição digital)
O verbo que, no contexto do poema, possui complemento indireto encontra-se em:
- O amor que tu me tinhas.
- Ele nunca se quebrou.
- Nada ali anunciava.
- Ele nunca se partiu.
- Era a luz alucinada.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Regência verbal: no verso O amor que tu me tinhas, o verbo ter tem sentido de "sentir/ter por alguém" e exige dois complementos: um direto e outro indireto.
O pronome relativo que retoma amor e exerce a função de objeto direto, ou seja, o termo que é tido/possuído.
O pronome oblíquo átono me funciona como objeto indireto, indicando a pessoa a quem o sentimento se dirige. Pode ser entendido como "por mim" ou "a mim".
Em leitura sintática, a ideia é: tu tinhas (amor) [OD] por mim [OI]. Esse emprego torna o verbo transitivo direto e indireto no contexto do poema.
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