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Questão FC654752

Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergente

Regência

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Estamos todos nos fanatizando?

 

O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.

 

Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados?

 

A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss. A primeira é “zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância”. A segunda, derivada daquela por extensão, “facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão”. A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de “fanum”, lugar sagrado, campo santo. O “fanaticus” tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo. 24.nov.2021)

 

É inteiramente regular o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. Ele se mostra plenamente confiante às ideias que propaga com tanta convicção.
  2. É grande a convicção de cuja ele se vale ao propagar suas ideias.
  3. As ideias nas quais ele se dedica a divulgar traduzem um certo fanatismo.
  4. A convicção com a qual suas ideias são defendidas espanta seus rivais.
  5. As ideias de que ele faz questão de propagar dificilmente são bem aceitas.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Com a qual é a forma correta porque reproduz a regência exigida pelo verbo e o sentido da oração: as ideias são defendidas com convicção, portanto a preposição com é necessária.

O pronome relativo a qual concorda em gênero e número com o substantivo antecedente convicção (feminino singular), e, unido à preposição, forma a locução com a qual que retoma e especifica esse substantivo.

Na construção passiva "suas ideias são defendidas com convicção", a expressão indica o modo; ao transformar em oração relativa, mantém‑se a preposição mais o pronome relativo: a convicção com a qual suas ideias são defendidas.

Portanto, a locução preserva sentido, regência e concordância, justificando plenamente o emprego de com a qual.

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