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Questão FC654755

A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de out

Regência

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

[Religiões e progresso]

 

É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.

 

A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?

 

Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.

 

(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)

 

Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. As crenças e ritos antigos onde os homens se apegavam eram mais sólidos que os deuses de hoje.
  2. O sagrado e o profano, que suas fronteiras hoje se mostram nítidas, nas sociedades pré-modernas podiam integrar-se.
  3. A ciência e a técnica gozam hoje de um prestígio no qual ninguém, em sã consciência, ousa contestar.
  4. Os enigmas do viver, de cujo esclarecimento somos carentes, seguem sendo alvos da nossa especulação.
  5. A acumulação de riqueza é uma meta obsessiva aonde bem poucas criaturas se dispõem a renunciar.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Explicação: A locução de cujo esclarecimento está correta porque expressa relação de posse entre os termos: trata‑se do esclarecimento que pertence aos enigmas do viver.

O pronome relativo cujo indica posse e concorda em gênero e número com o substantivo que vem a seguir (esclarecimento, masculino singular → cujo), não com o antecedente (enigmas).

Além disso, o adjetivo carente exige a preposição de (ser carente de algo). Por isso aparece a forma composta de cujo esclarecimento somos carentes, que reúne a preposição regente do verbo e o pronome relativo de posse de forma correta.

Em suma, há concordância adequada e respeito à regência verbal, tornando a alternativa correta.

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