Questão FC654758
Crimes ditos “passionais” A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação femini
Regência
FCC · 2022
Crimes ditos “passionais”
A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação feminina irá trazer também esse tipo de igualdade: a igualdade no crime e na violência. Provavelmente, não. O crime dado como passional costuma ser uma reação daquele que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamento sexual, mas também do fator econômico: o homem é, em boa parte dos casos, o responsável maior pelo sustento da casa. Por tudo isso, quando ele se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar.
O que acontece com os homens que matam mulheres quando são levados a julgamento? São execrados ou perdoados? Como reage a sociedade e a Justiça brasileiras diante da brutalidade que se tenta justificar como resultante da paixão? Há decisões estapafúrdias, sentenças que decorrem mais em função da eloquência dos advogados e do clima emocional prevalecente entre os jurados do que das provas dos autos.
Vejam-se, por exemplo, casos de crimes passionais cujos responsáveis acabaram sendo inocentados com o argumento de que houve uma “legítima defesa da honra”, que não existe na lei. Os motivos que levam o criminoso passional a praticar o ato delituoso têm mais a ver com os sentimentos de vingança, ódio, rancor, frustração, vaidade ferida, narcisismo maligno, prepotência, egoísmo do que com o verdadeiro sentimento de honra.
A evolução da posição da mulher na sociedade e o desmoronamento dos padrões patriarcais tiveram grande repercussão nas decisões judiciais mais recentes, sobretudo nos crimes passionais. A sociedade brasileira vem se dando conta de que mulheres não podem ser tratadas como cidadãs de segunda categoria, submetidas ao poder de homens que, com o subterfúgio da sua “paixão”, vinham assumindo o direito de vida e morte sobre elas.
(Adaptado de: ELUF, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus. São Paulo: Saraiva, 2002, XI-XIV, passim)
É inteiramente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
- O sentimento de posse é aonde se valem os homens para justificarem seus crimes alegadamente passionais.
- A autora do texto não sabe se da emancipação feminina decorrerá igualdade no caso desses julgamentos.
- A reação da sociedade, diante dessas violências, é marcada pela complacência de que favorece os advogados.
- São torpes os motivos em cujos se agarram os criminosos para tentar justificar sua ação assassina.
- Os direitos das mulheres, nos quais tanta gente dá às costas, estão sendo progressivamente garantidos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A escolha do elemento sublinhado está correta porque o verbo decorrer, no sentido de “derivar” ou “resultar”, rege a preposição de. Logo, exige-se que a origem daquilo que decorre venha introduzida por essa preposição.
O da é a contração de de + a, apropriada diante de emancipação, substantivo feminino determinado. Assim, decorrerá da emancipação feminina significa “resultará da emancipação feminina”.
A inversão sintática presente na frase (com o sujeito igualdade posposto ao verbo) não altera a regência: a preposição permanece necessária e a concordância verbal se mantém em decorrerá.
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