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Questão FC654781

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos

Concordância (Verbal e Nominal)

FCC · 2025

Atenção: Para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir.

 

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

 

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não tem nenhuma função especifica.

 

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos. 

 

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis as de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

 

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

 

(Adaptado de: ECKBO. Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)

 

As normas de concordância estão inteiramente respeitadas em:

  1. Nas cidades configuram-se como aspecto relevante o papel de moderador do clima, desempenhado pelas árvores.
  2. Os espaços públicos são um dos elementos que mais influencia a convivência social em uma cidade.
  3. De um lado, a expectativa desenfreada de lucro das construtoras e, de outro, a demanda crescente por habitação faz com que as cidades pouco a pouco se torne um espaço opressor.
  4. Edifícios, veículos e pedestres tratam-se, pelo autor, de elementos complementares.
  5. A avaliação dos espaços urbanos desprovidos de natureza são o ponto central para o paisagista.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase, o sujeito é Os espaços públicos e o verbo principal são está corretamente no plural, concordando com o núcleo do sujeito.

O segmento seguinte contém a expressão um dos + substantivo + que. Nessa construção o pronome relativo "que" pode retomar o elemento um (ideia de unidade) ou o substantivo no plural (ideia de conjunto).

Se "que" retoma um, o verbo da oração relativa fica no singular ("influencia"). Se retomar o plural, o verbo viria no plural ("influenciam"). Ambas as leituras são aceitas.

Como a frase apresenta concordância regular do sujeito com o verbo principal e admite a leitura em que "que" refere-se a "um", a construção está correta. Em resumo: a concordância está respeitada.

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