Questão FC654809
A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de out
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[Religiões e progresso]
É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.
A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?
Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)
As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase:
- Às manifestações de sacralidade das sociedades pré-modernas sucederam, em nossos dias, o culto de deuses profanos.
- O culto de valores profanos, tal como muitos sustentam, consagram-se hoje à valorização da técnica pela técnica, acima da ética.
- Já não se revestem de uma sacralização autêntica os hábitos que nos levam a adorar os deuses profanos de nossa época.
- Tudo o que se imaginava levar a uma vida de valores mais autênticos acabaram por se converter em práticas materialistas.
- Os equívocos ligados ao endeusamento pragmático da vida material não faz senão crescer a desilusão quanto ao nosso futuro.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Reorganizando a oração para maior clareza: os hábitos já não se revestem de uma sacralização autêntica.
O núcleo do sujeito é os hábitos, termo plural, portanto o verbo principal deve concordar com esse núcleo.
O verbo se revestem é forma pronominal de revestir‑se e aparece no plural, concordando corretamente com os hábitos.
A oração adjetiva que nos levam a adorar os deuses profanos de nossa época restringe e especifica os hábitos; o verbo interno levam também concorda com o antecedente, mas não altera a concordância do verbo principal.
A expressão já não é advérbio de negação e de uma sacralização autêntica é complemento; nenhum desses elementos interfere na concordância. Portanto a frase está correta.
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