Questão FC654811
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. A viagem dos elefantes Hoje quero falar sobre elefantes. Sei que a morte epidêmica cobre o mundo de sombras, sei que h
Concordância (Verbal e Nominal)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
A viagem dos elefantes
Hoje quero falar sobre elefantes. Sei que a morte epidêmica cobre o mundo de sombras, sei que há desmandos, arbítrio, horror, que tudo isso merece nossa máxima atenção, mas peço licença para falar sobre elefantes. Não do elefante em sua carnadura genérica, não da nossa incerta ideia de elefante, isso não. O que cativa no momento minha concentração são elefantes específicos, quinze indivíduos elefantes que fugiram de sua reserva natural e agora vagueiam por populosas províncias chinesas causando pasmo e sobressalto. Vagueiam há mais de um ano sem rumo e sem razão, até onde sabemos, mas é certo que nunca bem compreendemos a razão dos elefantes. “Entre falar e calar, um elefante sempre preferirá o silêncio”, já previu Saramago.
A notícia poderia se confundir com um desses acontecimentos frívolos que insistem em atravessar nossos graves e sérios, uma dessas histórias insólitas que nos distraem e nos alienam − e, sim, é bem capaz que não passe disso. Mas se destilo aqui algumas frases a respeito, é por achar que podemos sorver mais, que nesse caso pode haver algo de delicado e surpreendente a nos nutrir. Ou então por guardar a convicção, na esteira do grande crítico Auerbach, de que “qualquer acontecimento, se for possível exprimi-lo limpo e integralmente, interpretaria por inteiro a si próprio e aos seres humanos que dele participassem”, sendo esse um dos fins últimos da literatura. Aí está, na falta da razão dos elefantes encontrei a minha: escrevo sobre eles porque talvez possam dizer algo sobre nós, sobre nossa vontade de fugir, nossa ânsia por liberdade, dispersão, desterro.
Menos que fugir, esses elefantes exploram novos mundos, aventuram-se em novos territórios. São capazes de pisar o desconhecido sem achar que tudo sabem de partida, que não haverá nada para ver na próxima pradaria, nada que não resulte temível ou doentio. O mundo é ainda franco e aberto aos elefantes, o mundo é para eles o que talvez tenha chegado a ser para nós, em dia longínquo, prenhe de futuro. Têm ainda uma chance os elefantes, é isso o que descubro, é isso o que invejo ao vê-los vagar, entendendo enfim meu interesse excessivo.
(Adaptado de: FUKS, Julián. Lembremos do futuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 103-106, passim)
As normas de concordância estão plenamente observadas na frase:
- Podem-se extrair várias sugestões da viagem desses elefantes, que deixa entrever lições preciosas da natureza.
- Nenhum desses acontecimentos frívolos impedem que lhes sejam atribuídos um sentido simbólico.
- A falta de razão para as viagens dos elefantes aparentemente sem rumo em nada obstam que o cronista as interprete.
- Ao se atirar na direção de novos mundos, os elefantes tem demonstrado sua fé nas surpresas do caminho.
- Não caberiam aos leitores concluir que o movimento dos elefantes apenas atendem a imperativos da natureza?
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Gabarito
A
Comentário do professor
A frase está correta porque respeita a concordância verbal e nominal entre os termos-chave.
Em Podem-se extrair várias sugestões, o se atua como partícula apassivadora, formando a voz passiva sintética. Nessa construção o verbo concorda com o sujeito paciente, cujo núcleo é o substantivo plural várias sugestões, daí podem. A forma analítica equivalente ilustra a concordância: Podem ser extraídas várias sugestões da viagem desses elefantes.
Em que deixa entrever, o pronome relativo que retoma a viagem desses elefantes, cujo núcleo é singular (viagem); por isso o verbo aparece no singular: deixa.
Portanto, tanto a construção passiva quanto a subordinada relativa apresentam concordância correta entre verbo e núcleo do sujeito.
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