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Questão FC654817

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O meu ofício O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor

Concordância (Verbal e Nominal)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

O meu ofício

 

O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim.

 

Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.

 

Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.

 

(Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015, p, 72-77, passim)

 

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em:

  1. As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel acabam por identificar o estilo mesmo de quem as escreveu.
  2. Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos.
  3. Faltam às tarefas outras de que poderiam se incumbir a facilidade que encontra ela em escrever seus textos.
  4. Os possíveis entraves para escrever um conto, revela a autora, logo se dissipou em sua primeira tentativa.
  5. Não haveria de surgir impulsos mais fortes, para essa escritora, do que os que a levaram a imaginar histórias.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos, a concordância está correta porque cada verbo concorda com seu sujeito.

O verbo gabar‑se refere‑se a a autora, portanto aparece no singular (Quem se gaba? A autora).
O verbo recorrer integra a oração relativa iniciada por que, que retoma palavras; o sujeito oculto de recorre é ela (a autora), justificando a forma singular.

O verbo faltar tem como sujeito a espontaneidade dos bons escritos, núcleo singular, por isso exige o verbo no singular. A expressão às palavras resulta da preposição exigida por faltar + o artigo as, justificando a crase.

Assim, todos os núcleos e verbos concordam adequadamente, tornando a alternativa correta.

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