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Questão FC654819

Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesit

Concordância (Verbal e Nominal)

FCC · 2022

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

[Vida literária]

 

Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber cartas de outros que também os fazem, mas estão na casa dos vinte. Parece que esse é um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opiniões sobre os vagidos do talento. O moço apresenta-se confiante, às vezes entusiástico, sempre respeitoso; o “mestre” responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: “Escreva sempre, meu filho.” A isto se chama vida literária.

 

Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-la a rumo certo? Haverá utilidade nessa conversa de gerações?

 

É certo que cinco ou dez anos depois a receita do mais velho foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja, não esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele o não é. Noventa (que digo? cem por cento) de nossas admirações da adolescência resolvem-se em indiferença, vergonha ou desprezo. Na força do adulto, vingase o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres de poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma “carta ao jovem poeta” deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.

 

Mas o pessimismo da verificação não deve secar no homem de cinquenta o terno interesse pelo rapaz de vinte. O admirador juvenil é tão autêntico e honesto quanto o lapidador de vinte e cinco ou trinta. Cada idade tem sua moral e sua sensibilidade.

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Passeios na ilha. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 113-114)

 

Respeitam-se plenamente as normas de concordância verbal na frase:

  1. Não se admitem que os jovens poetas passem de repente a desonrar sua admiração inicial pelos poetas mais velhos.
  2. Aos jovens poetas não sucede permanecerem fiéis à admiração já demonstrada pelos poetas mais velhos.
  3. Caberiam aos moços talentosos aproveitar melhor as boas lições que lhes foram passadas pelos velhos mestres.
  4. Haveria de passar muitos anos para que aqueles jovens poetas recuperassem seu respeito pelos mestres de outrora.
  5. Recomendam-se aos críticos que não levem em conta os ardores fortes e voluntariosos dos jovens poetas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase, o sujeito é a oração permanecerem fiéis à admiração já demonstrada pelos poetas mais velhos; trata‑se, portanto, de um sujeito oracional.

Com sujeito oracional, o verbo deve ficar no singular. Por isso aparece sucede (3.ª pessoa do singular), concordando com toda a oração-substantiva e não com o termo aos jovens poetas.

A expressão Aos jovens poetas funciona como objeto indireto do verbo suceder, introduzida pela preposição a, e a ordem invertida apenas realça o complemento, sem alterar a concordância.

Além disso, a partícula negativa não posicionada antes do verbo não interfere na flexão; assim, a construção está gramaticalmente correta.

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