Questão FC654828
Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)
FCC · 2026
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos - por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governo fortes, exercidos de cima para baixo, ou relato de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: trata-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais.
Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou "república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspectos da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável e conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)
As formas verbais estão corretamente flexionadas e há presença de voz passiva na frase:
- Como foram obtidos poucos resultados, eles não mais se detiveram em novas etapas.
- Malgrado a decepção que experimentaram, eles se recomporam e foram em frente.
- Os pesquisadores não suporam que a pesquisa não seria conclusiva.
- Fatores negativos interviram nas atividades exercidas pelos pesquisadores.
- Mesmo que eles revessem os resultados, a pesquisa seguiria inconclusiva.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase indicada, a locução "foram obtidos" está na voz passiva analítica. Isso porque aparece como verbo auxiliar ser ("foram") + verbo principal no particípio ("obtidos").
O sujeito "poucos resultados" é sujeito paciente, pois sofre a ação de obter, praticada por agente indeterminado. Note-se a concordância: o particípio "obtidos" acompanha o sujeito em número e gênero (masculino, plural).
Em seguida, "detiveram" é o verbo deter flexionado no pretérito perfeito do indicativo, terceira pessoa do plural, concordando com "eles" (referente aos pesquisadores). Aqui a voz é ativa.
Assim, a alternativa apresenta corretamente a presença de voz passiva analítica e a flexão verbal adequada em todo o período.
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