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Questão FC654829

Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão abaixo. Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emp

Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)

FCC · 2026

Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão abaixo.

Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário garantido, com o qual podia sustentar a família — mulher e dois filhos - e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.

Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abilio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime.Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.

 

Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista em informática. A casa estava paga, Abilio não tinha dívidas. Podia, pois, pór em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.

 

Então é agora, foi a resposta dela.

 

Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia, Sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários 107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o vizinho. Isso eu entendo, replicou Abilio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abilio não estava acostumado com a burocracia. Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe força.

 

Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: “Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homem.” (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um  passo para apanhá-lo.

 

(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM,2018.P.102-104)

 

um ou dois ajudantes resolveriam o problema (3o parágrafo).

 

Ao se transpor o trecho acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:

  1. era resolvido.
  2. fora resolvido.
  3. seria resolvido.
  4. foi resolvido.
  5. fosse resolvido.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Um ou dois ajudantes resolveriam o problema. apresenta sujeito agente ("um ou dois ajudantes") e objeto direto ("o problema"). Ao passar para a voz passiva, o objeto direto torna‑se sujeito paciente.

Para formar a voz passiva analítica preservando o tempo e o modo, usa‑se o verbo ser conjugado no mesmo tempo + particípio do verbo principal. Aqui, "resolveriam" está no futuro do pretérito do indicativo, que corresponde a "seria" na voz passiva.

Logo, a forma correta é: o problema seria resolvido por um ou dois ajudantes. Observa‑se também a concordância do particípio "resolvido" com o sujeito paciente "o problema". O agente ("por um ou dois ajudantes") pode aparecer ou ser omitido.

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