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Questão FC654855

Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesit

Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)

FCC · 2022

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

[Vida literária]

 

Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber cartas de outros que também os fazem, mas estão na casa dos vinte. Parece que esse é um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opiniões sobre os vagidos do talento. O moço apresenta-se confiante, às vezes entusiástico, sempre respeitoso; o “mestre” responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: “Escreva sempre, meu filho.” A isto se chama vida literária.

 

Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-la a rumo certo? Haverá utilidade nessa conversa de gerações?

 

É certo que cinco ou dez anos depois a receita do mais velho foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja, não esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele o não é. Noventa (que digo? cem por cento) de nossas admirações da adolescência resolvem-se em indiferença, vergonha ou desprezo. Na força do adulto, vingase o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres de poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma “carta ao jovem poeta” deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.

 

Mas o pessimismo da verificação não deve secar no homem de cinquenta o terno interesse pelo rapaz de vinte. O admirador juvenil é tão autêntico e honesto quanto o lapidador de vinte e cinco ou trinta. Cada idade tem sua moral e sua sensibilidade.

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Passeios na ilha. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 113-114)

 

Transpondo-se para a voz ativa a frase Ataca-se o mestre, descobre-se que ele o não é, as formas verbais deverão ficar

  1. atacam e descobrem
  2. é atacado e é descoberto
  3. sendo atacado e fora descoberto
  4. atacou-se e descobriu-se
  5. atacaram e descobriram
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Gabarito

A

Comentário do professor

As orações originais estão na voz passiva sintética com a partícula "se" e no presente do indicativo (Ataca-se o mestre; Descobre-se que ele o não é).

Ao passar para a voz ativa, o sujeito paciente ("o mestre") passa a ser o objeto direto. Quem praticou a ação não é identificado no original, portanto o sujeito da voz ativa fica indeterminado. Para marcar essa indeterminação em português, usa-se o verbo na 3.ª pessoa do plural (como se fosse um "eles" implícito).

Mantendo o tempo verbal (presente), temos: Atacam o mestre. Descobrem que ele não o é. Assim justificam‑se as formas atacam e descobrem.

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