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Questão FC654877

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

FCC · 2025

Atenção: Para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir.

 

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

 

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não tem nenhuma função especifica.

 

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos. 

 

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis as de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

 

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

 

(Adaptado de: ECKBO. Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)

 

O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas ... (2º parágrafo) 

 

Mantendo a correção e, em linhas gerais, o sentido original, as frases acima compõem um único período com o emprego da locução conjuntiva

  1. tanto que, a introduzir uma condição.
  2. tendo em vista que, a Introduzir uma finalidade.
  3. posto que, a introduzir uma causa.
  4. uma vez que, a introduzir uma justificativa.
  5. de tal forma que, a Introduzir uma consequência.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

de tal forma que é uma locução conjuntiva consecutiva cuja função é introduzir uma consequência em relação ao enunciado anterior.

Na estrutura apresentada, a primeira oração apresenta a causa: "O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis". A oração seguinte descreve o efeito dessa situação: "Caminhamos contornando as calçadas...".

Ao unir as orações com de tal forma que, preserva-se o sentido original porque se marca explicitamente a relação de causa→consequência: "O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis, de tal forma que caminhamos contornando as calçadas...".

Gramaticalmente, usa‑se o modo indicativo na consequência, pois trata‑se de uma constatação factual decorrente da ideia anterior.

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