Questão FC654882
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo. "O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis C
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2025
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo.
"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"B Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.A,C
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que uma vez estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!D
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o sambaE que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emílla, Emília, Emília, eu não posso mais".
(Adaptado de: BRAGA. Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
- tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
- e eu respondo: "eu que o diga !"
- tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!
- um outro rádio com o samba
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Gabarito
B
Comentário do professor
O da frase "e eu respondo: 'eu que o diga!'" é um pronome demonstrativo que retoma anaforicamente a afirmação anterior: "O Inferno são os outros". Ou seja, substitui aquela ideia inteira, funcionando como referência a "isso" ou "essa frase".
Na oração exclamativa, o exerce a função de objeto direto do verbo diga, equivalendo a expressões como "eu que isso diga" ou "eu que o possa dizer". Trata‑se, portanto, de um uso pronominal que evita a repetição da oração citada e confere ênfase irônica do narrador ao contrapôr‑se a Sartre.
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