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Questão FC654887

A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verd

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

FCC · 2022

Leia o trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, para responder a questão.

Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de vida; mas, tão acanhada, que os suspiros do namorado ficavam sem eco. Chamava-se Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá- -los. Piedade resistiu, um pleuris a levou.

 

Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, − nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique.

 

Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto.

 

− Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba.

 

− Grande façanha! Como se você fosse mau!

 

A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

 

− Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

 

− Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.

 

(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Quincas Borba. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)

 

Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? (2º parágrafo).

 

Os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a

  1. Quincas Borba e Rubião.
  2. Quincas Borba e grãozinho de sandice.
  3. grãozinho de sandice e Rubião.
  4. grãozinho de sandice e Quincas Borba.
  5. um médico e grãozinho de sandice.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Resposta: o pronome que refere-se a grãozinho de sandice e o pronome lhe refere-se a Quincas Borba.

Na oração Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? o pronome que é um pronome relativo que retoma o antecedente imediato grãozinho de sandice, evitando sua repetição na oração subordinada.

Já o lhe é um pronome oblíquo com valor de lugar, equivalente a nele. Ou seja, o médico supôs achar o grãozinho de sandice em Quincas Borba. Substituindo, tem-se: que um médico supôs achar nele?, o que mostra que lhe retoma Quincas Borba.

Portanto, a interpretação sintática confirma a alternativa correta.

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