Questão FC654896
Para responder a questão, considere um trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis. Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares met
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2022
Para responder a questão, considere um trecho do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
– Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...
Que abismo que há entre o espírito e o coração! O espírito do ex-professor, vexado daquele pensamento, arrepiou caminho, buscou outro assunto, uma canoa que ia passando; o coração, porém, deixou-se estar a bater de alegria. Que lhe importa a canoa nem o canoeiro, que os olhos de Rubião acompanham, arregalados? Ele, coração, vai dizendo que, uma vez que a mana Piedade tinha de morrer, foi bom que não casasse; podia vir um filho ou uma filha... – Bonita canoa! – Antes assim! – Como obedece bem aos remos do homem! – O certo é que eles estão no Céu!
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era matéria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja, – primor de argentaria, execução fina e acabada.
(Machado de Assis. Quincas Borba. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mirando a bandeja, que era de prata lavrada. (4º parágrafo)
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a
- “Rubião” e “prata lavrada”.
- “Rubião” e “bandeja”.
- “xícara” e “prata lavrada”.
- “xícara” e “bandeja”.
- “açúcar” e “bandeja”.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na frase, o pronome lhe funciona como objeto indireto. O verbo aqui tem sentido de “colocar/por (açúcar) em”, portanto exige complemento introduzido por preposição; lhe retoma esse complemento: equivale a “na xícara”, ou seja, refere‑se à xícara.
Já que é um pronome relativo que retoma um antecedente imediato. A oração “que era de prata lavrada” caracteriza o substantivo anterior, portanto que refere‑se à bandeja.
Resumindo: lhe → xícara (objeto indireto: colocar açúcar em) e que → bandeja (pronome relativo que retoma e qualifica a bandeja).
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