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Questão FC654899

Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios: uma das lições iniciais era a frase “A macaca é má”, com a ilustração de uma macaquinha espantada e a exploração r

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Brincadeiras de criança

 

Entre as crianças daquele tempo, na hora de formar grupos pra brincar, alguém separava as sílabas enquanto ia rodando e apontando cada um com o dedo: “Lá em ci-ma do pi-a-no tem um co-po de ve-ne-no, quem be-beu mor-reu, o cul-pa-do não fui eu”. Piano? Qual? Veneno? Por quê? Morreu? Quem? Tratava-se de uma “parlenda”*, como aprendi bem mais tarde, mas podem chamar de surrealismo, enigma, senha mágica, charada...

 

Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios: uma das lições iniciais era a frase “A macaca é má”, com a ilustração de uma macaquinha espantada e a exploração repetida das sílabas “ma” e “ca”. Ponto. Nenhuma história? Por que era má a macaquinha? Depois aprendi que “má macaca” é um parequema**. A gente vai ficando sabido e ignorando o essencial. O que, afinal, teria aprontado a má macaquinha da cartilha?

 

A grande poeta Orides Fontela usou como epígrafe de um de seus livros de alta poesia (Helianto, 1973) esta popular quadrinha de cantiga de roda:

 

“Menina, minha menina,

Faz favor de entrar na roda

Cante um verso bem bonito

Diga adeus e vá-se embora”

 

Ou seja: brincando, brincando, eis a nossa vida resumida, em meio aos densos poemas de Orides, a nossa vida, em que cada um de nós se apresenta aos outros, busca dizer com capricho a que veio no tempinho que teve e...adeus. Podem soar fundo as palavras mais inocentes: “ir-se embora”, depois da viva roda... E ir-se embora sem saber mais nada daquele copo de veneno em cima do piano ou da macaquinha da cartilha, eternamente condenada a ser má. Ir-se embora já ouvindo bem ao longe as vozes das crianças cantando na roda.

 

* parlenda: palavreado utilizado em brincadeiras infantis ou jogos de memorização.

** parequema: repetição de sons ou da sílaba final de uma palavra, no início da palavra seguinte.

 

(Adaptado de: MACEDÔNIO, Faustino. Casos de almanaque, a publicar)

 

Uma frase do texto ganha nova redação, sem prejuízo para seu sentido e correção gramatical, no seguinte caso:

  1. alguém separava as sílabas enquanto ia rodando = As sílabas separavam-se a despeito de quem rodasse.
  2. Tratava-se de uma “parlenda”, como aprendi bem mais tarde = Dizia-se ser uma parlenda que eu aprenderia muito depois.
  3. Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios = Até mesmo mistérios poderiam haver em nossas cartilhas de alfabetização.
  4. eis a nossa vida resumida, em meio aos densos poemas de Orides = eis nossa concisa existência por meio da profunda poesia de Orides.
  5. busca dizer com capricho a que veio no tempinho que teve = tenta expressar com apuro o que veio fazer no pequeno prazo que lhe foi concedido.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A reescrita indicada mantém tanto o sentido quanto a correção gramatical da locução original.

Lexicalmente, há equivalência: busca = tenta, dizer = expressar, e com capricho = com apuro. Essas trocas preservam a ideia de esforço dedicado em comunicar algo.

Quanto ao complemento final, a que veio é reescrito por o que veio fazer, mantendo a finalidade da ação; no tempinho que teve vira no pequeno prazo que lhe foi concedido, preservando a noção de tempo limitado e a relação de quem recebe esse tempo.

Em nível sintático e de registro, o sujeito implícito, o tempo verbal e a intenção pragmática permanecem inalterados, razão pela qual a alternativa é correta.

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