Questão FC654904
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagoni
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e Isolda, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.
A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se considerarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado. Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à segunda questão é um desafio ainda mais atraente.
Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produzida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.
Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.
(Adaptado de: DAMÁSIO, António. O erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, edição digital)
mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”
que podem vir a não ser bons.
Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a
- filtro de amor − efeitos
- filtro de amor − determinadas circunstâncias
- Brangena − efeitos
- Isolda − oxitocina
- Isolda − efeitos
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
Gabarito: Isolda − efeitos.
Na construção "ela prepara-lhe um ‘filtro de amor’", o pronome oblíquo átono lhe exerce a função de complemento indireto: indica para quem a ação se destina. Pelo contexto imediato ("Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare..."), fica claro que lhe retoma Isolda, ou seja, Brangena prepara a poção para Isolda.
Em "os efeitos que podem vir a não ser bons", o pronome que é um pronome relativo cujo antecedente é efeitos. Ele introduz uma oração subordinada adjetiva que qualifica esses efeitos, informando que tais efeitos podem não ser bons.
Portanto, a referência correta é: primeiro pronome = Isolda; segundo pronome = efeitos.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em