Questão FC654922
Leia os Textos 01 e 02 para responder à questão. Texto 01 (Disponível em: https://site.sabesp.com.br/site/interna/) Texto 02 Inquilinos Ninguém é responsável pelo funcionamento do
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
FCC · 2022
Leia os Textos 01 e 02 para responder à questão.
Texto 01

(Disponível em: https://site.sabesp.com.br/site/interna/)
Texto 02
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada e em torno do Sol, de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico − e sem taxa de administração. Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se − coroando o mais delirante dos sonhos liberais − sua gerência fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas, encurtar ou alongar dias e noites, e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
Cadê a floresta que estava aqui? − perguntaria o Proprietário. − Valia uma fortuna.
E:
− Este rio não está como eu deixei…
E, depois de uma contagem minuciosa:
− Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias − monumentos, parques, áreas férteis onde outrora existiam desertos − para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
− Para que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
− E a Catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
− Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings, quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locatários. E do terror da indenização.
(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 19-22)
A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados. (3o parágrafo)
Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a:
- escatologia cristã − imóvel − cuidadoso − todos
- escatologia cristã − proprietário − Juízo Final − todos
- escatologia cristã − proprietário − inventário − estragos
- Salvador − proprietário − inventário − estragos
- Salvador − imóvel − inventário − todos
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Gabarito
D
Comentário do professor
Os quatro que são pronomes relativos que retomam, respectivamente, os antecedentes indicados na alternativa D: Salvador, proprietário, inventário e estragos.
O primeiro que refere-se a Salvador e inicia oração subordinada adjetiva restritiva que virá pela segunda vez; nessa oração o pronome exerce a função de sujeito de virá (pode ser substituído por o qual).
O segundo que retoma proprietário e introduz outra adjetiva restritiva que chegará para retomar seu imóvel, também com função de sujeito.
O terceiro que refere-se a inventário, equivalente a no qual, vinculando a ideia de local ou contexto em que ocorrerá a contabilização, ou seja exercendo papel de adjunto adverbial
O quarto que retoma estragos e inicia a oração que fizemos no mundo, na qual o pronome tem valor de objeto direto do verbo fizemos (substituível por os quais).
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