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Questão FC654923

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Instintos e (des)civilização Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Instintos e (des)civilização

 

Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta as duas guerras mundiais, talvez menos do que pareça. O padrão é conhecido: situações de conflito armado, morticínios, cataclismos naturais, migrações dramáticas, colapsos econômicos agudos. São fatos que revelam a fragilidade da fina superfície de civilidade e decoro sobre a qual assenta a nossa civilização.

 

Sob o impacto do abalo provocado por desastres como esses, o comportamento das pessoas sofre uma drástica mutação: enquanto alguns, em geral poucos, agem de forma solidária e até mesmo heroica, a maior parte da população atingida regride a um estado de violência e selvageria no qual a lógica do “salve-se quem puder” deságua na rápida escalada dos furtos, assaltos, saques, crimes e vandalismo. Quase que num piscar de olhos, o cordato cidadão civilizado se transforma em besta feroz, capaz das piores atrocidades.

 

Como entender esse perturbador fenômeno? A interpretação usual propõe um modelo conhecido: o ser humano no fundo é um animal selvagem e terrível. Remova os sustentáculos elementares da ordem civilizada; dispa a camisa de força social; suspenda, ainda que brevemente, a vigilância e a ameaça de punição aos infratores do código legal, e, em pouco tempo, retrocedemos ao “estado natural” e à “guerra de todos contra todos”. Os episódios de regressão à barbárie seriam, em suma, o psiquismo arcaico do animal humano posto a nu. É essa uma tese tão aceita quanto controversa: o que vem à tona não é mais o homem natural e primitivo; trata-se agora do “descivilizado”, livre das amarras civilizatórias e preso a um novo psiquismo violento. A “natureza” que já fora expelida traz agora, em seu retorno, as marcas e as feridas de sua violenta expulsão.

 

(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 125-126)

 

Considere as seguintes orações:

 

I. Temos instintos violentos.

 

II. Esses instintos são da nossa natureza.

 

III. A civilização busca refrear esses instintos.

 

Essas três orações articulam-se com correção, coesão e coerência num período único em:

  1. Mesmo sendo da nossa natureza, os instintos violentos que temos não refreiam nossa civilização.
  2. Para refrear os instintos da natureza que são violentos, contamos com os da civilização.
  3. Caso haja civilização, os instintos nossos buscarão refrearão os da nossa natureza violenta.
  4. São da natureza nossa os instintos violentos, cujo refreamento é buscado pela civilização.
  5. Os instintos violentos que asseguramos refrear com a civilização são, na verdade, da natureza.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Letra D organiza corretamente as três ideias: os instintos são da nossa natureza e a civilização busca refrear esses instintos.

A construção apresenta correção gramatical: a inversão "São da natureza nossa os instintos violentos" é permitida para destaque; há concordância verbal e nominal adequada.

O uso de cujo estabelece coesão entre o substantivo "instintos violentos" e o substantivo "refreamento", indicando relação de posse sem ambiguidade.

A forma "é buscado pela civilização" emprega a voz passiva corretamente para atribuir à civilização a ação de buscar o refreamento, preservando a coerência sem inverter papéis ou sentidos.

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