Questão FC654940
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo. "O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis C
Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
FCC · 2025
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo.
"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que uma vez estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emílla, Emília, Emília, eu não posso mais".
(Adaptado de: BRAGA. Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.
Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
- ouço.
- ouça.
- ouviu.
- ouvi.
- ouvia.
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Gabarito
B
Comentário do professor
No enunciado "Ele então pediu silêncio, e que ouvisse" identificam-se dois sinais de discurso indireto: a conjunção integrante "que" e o verbo no subjuntivo ("ouvisse"), que reproduz um pedido referido pelo narrador.
Ao transpor para o discurso direto, transforma-se o pedido em enunciado do próprio falante, portanto usa-se o modo imperativo para conservar a força de ordem/apelo. Assim, a forma correta é "Ouça!"
Gramaticalmente, o subjuntivo da oração subordinada expressa vontade ou solicitação; no discurso direto essa função é desempenhada pelo imperativo, daí a escolha de ouça como forma adequada.
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