Questão FC654942
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. O estranho ofício de escrever Éramos três condenados a escrever uma crônica diária em jornal: Rubem Braga no Diário de Notíci
Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
O estranho ofício de escrever
Éramos três condenados a escrever uma crônica diária em jornal: Rubem Braga no Diário de Notícias, Paulo Mendes Campos no Diário Carioca e eu no O Jornal. Um dia, numa hora de aperto, o Rubem perdeu a cerimônia: — Será que você não teria aí uma crônica pequeninha para me emprestar? Procurei uma e lhe cedi uma que talvez servisse.
Tempos depois chegou a minha vez, e perguntei ao Rubem se não tinha uma crônica usada para servir este seu amigo. Pois não é que ele me passou a crônica que eu lhe havia cedido? Sou pobre, mas não sou soberbo. Ajeitei a crônica como pude, toquei-lhe uns remendos.
De toda crônica que publiquei na vida, houve sempre um leitor para achar que era a melhor e outro a pior que já escrevi. Nunca me esqueci do dia em que o Carlos Castello Branco me disse: — Eu, se fosse você, parava um pouco. Essa sua última crônica estava de amargar.
Parei dois anos por causa disso.
Quando recomecei, vez por outra recauchutava um escrito antigo, à falta de coisa melhor. Até que chegou o dia em que no meu estoque não restava senão uma, jamais republicada - justamente aquela que o Castelinho havia estigmatizado com seu implacável juízo crítico. Pois não é que veio ele me dizer, efusivo, a propósito da mesmíssima crônica: - É das melhores coisas que você já escreveu.
Havia-se esquecido, o mandrião. E por causa dele eu passara dois anos no estaleiro.
Quando lhe acusei a contradição, ele não se perturbou: - Agora achei boa. Ou a crônica melhorou, ou eu é que piorei.
(Adaptado de: MASSI, Augusto (org.) SABINO, Fernando. Os sabiás da crônica. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 151-152)
Naquele dia Carlos Castello Branco me disse: — Eu, se fosse você, parava um pouco, porque essa sua última crônica está de amargar.
Transpondo-se o texto acima para o discurso indireto, ele deverá ficar: Carlos Castello Branco me disse, naquele dia, que,
- no lugar dele, devia parar um pouco, já que aquela sua última crônica estava de amargar.
- mesmo que eu fosse você, deveria parar um pouco, estando de amargar esta minha última crônica.
- fosse eu, você devia parar um pouco, porque esta última crônica é de amargar.
- no seu caso, pararia um pouco, fosse sua essa sua última crônica de amargar.
- se fosse eu, ele pararia um pouco, porque aquela minha última crônica estava de amargar.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Alternativa correta: se fosse eu, ele pararia um pouco, porque aquela minha última crônica estava de amargar.
No discurso indireto ocorrem mudanças obrigatórias: passa-se da 1ª pessoa para a 3ª pessoa ao reportar a fala de Carlos, por isso o pronome que ele usou (eu) vira ele.
O condicional introduzido por se mantém o subjuntivo (fosse), e a forma verbal que expressa a consequência muda de pretérito imperfeito do modo indicativo (parava) para o futuro do pretérito (pararia), compatível com o contexto reportado.
Além disso, o presente está exige mudança para o pretérito imperfeito (estava), e o demonstrativo essa sua altera-se para aquela minha, refletindo a passagem do discurso direto para o narrado.
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