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Questão FC654943

Vejo a dor de meus filhos quando tentam entender a passagem do tempo e o fim da vida. Lucian, que tinha seis anos quando escrevi estas linhas, pensa obsessivamente sobre a morte de

Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)

FCC · 2025

Atenção: Para responder às questão de número, baseie-se no texto seguinte.

 

[Perguntas para o tempo]

 

A repetição pode acalmar e confortar, em nossa vida. Se a Natureza dança em um certo ritmo, talvez o mesmo se aplique a nós. Um tempo cíclico traz a promessa de um renascimento, estabelecendo uma conexão profunda entre o homem e o cosmos: nossa existência inseparável da do mundo. Por que não crer que a morte não seja o final, mas o início de uma nova existência? Que a vida se repete em cicios?

 

Vejo a dor de meus filhos quando tentam entender a passagem do tempo e o fim da vida. Lucian, que tinha seis anos quando escrevi estas linhas, pensa obsessivamente sobre a morte desde os quatro. A morte parece absurda quando o tempo é eterno. Lucian está convencido de que retornamos, só não sabe se retornamos a mesma pessoa ou outra. Sua preferência, claro, é que retornemos os mesmos, essencialmente revivendo a vida já conhecida ou, melhor ainda, revivendo-a por toda a eternidade. Caso contrário, como lidar com a perda da pessoa amada?

 

Com o coração partido, digo-lhe que o que ocorre conosco é o mesmo que ocorre com a formiga que ele esmaga casualmente sob seus pés. Lucian não se convence. "Como é que você sabe, papai?" "Não tenho certeza filho. Algumas pessoas acham que voltamos, outras que vamos para o Paraiso. O problema é que os que se foram não mandam noticias, não nos contam para onde foram e para onde vamos". A conversa costuma terminar num abraço bem apertado.

 

O tempo, linear ou ciclico, é uma medida de transformação. Em muitas narrativas míticas os deuses existem fora do tempo, nunca envelhecendo ou adoecendo, enquanto os humanos existem dentro do tempo, sujeitos aos caprichos de sua passagem. Olhamos a Natureza e queremos confiar em suas repetições, que parecem assegurar uma duração infinita. Mas de nada temos certeza. Disse Milan Kundera: "são perguntas sem resposta que definem os limites das possibilidades humanas, que descrevem as fronteiras da existência humana".

 

(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 39-40)

 

"Como é que você sabe, papai?" "Não tenho certeza, filho." Transpondo-se o trecho acima para o discurso indireto, introduzindo-o por Quando meu filho Lucian me perguntou, deve se guir-se o enunciado

  1. como é que eu poderia saber, respondi-lhe que não tinha certeza.
  2. se eu saberia, porquanto eu lhe dizia não haver certeza.
  3. papai, como é que sabe, e eu lhe disse: certeza não tenho, filho.
  4. como é que seu pai saberia, este lhe respondeu não ter certeza.
  5. se eu poderia saber, disse-lhe não poder ter certeza.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Quando meu filho Lucian me perguntou como é que eu poderia saber, respondi-lhe que não tinha certeza.

Ao transformar o diálogo em discurso indireto, o enunciado é integrado por quando... perguntou seguido da oração interrogativa introduzida por como, sem sinais de pontuação da fala direta.

Houve mudança de pessoa: o vocativo "papai" e o tratamento do filho resultam em eu na oração subordinada, porque o narrador permanece o falante. O verbo também sofre o ajuste temporal: tenho passa para tinha.

A opção por poderia saber expressa a adequação temporal e de modo ao relato no passado e mantém o sentido de dúvida original. A locução respondi-lhe que introduz corretamente a resposta em estilo indireto.

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