Questão FC654957
Vocação e ambição Machado de Assis tem um conto admirável – “Um homem célebre” – que narra a história de um famoso e prestigiado compositor popular do Rio do século XIX, um tal de
Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
FCC · 2022
Vocação e ambição
Machado de Assis tem um conto admirável – “Um homem célebre” – que narra a história de um famoso e prestigiado compositor popular do Rio do século XIX, um tal de Pestana, que em vez de gozar o sucesso de cada uma de suas composições ligeiras e dançantes, vivia atormentado por não compor nada à altura de um Mozart, de um Beethoven. Cada vez que uma composição sua atingia em cheio o gosto popular, o maestro oculto que havia nele sofria o sucesso fácil como uma sentença de morte.
Machado resumiu assim a vida dramática desse músico ao mesmo tempo celebrado e infeliz: “Eterna peteca entre a ambição e a vocação”.
A frase é forte: o jogo da peteca realiza o sofrido movimento de pêndulo de cada divisão nossa, que nunca encontra um ponto de equilíbrio. Ser jogado eternamente de um lado para outro, sem repouso, é de enlouquecer. É a oposição contínua entre duas forças que nos dividem e fazem sofrer: a força que está na inclinação natural para atender a uma vocação já instalada em nós e a força pela qual pretendemos atingir uma altura que está longe dos nossos recursos. No caso de Pestana, a aclamação pública que cada música sua atingia não compensava de modo algum a falta de realização de seus mais altos projetos pessoais.
Com esse conto, Machado lembra que há quem não se contente em ser uma celebridade, sobretudo quando julga vazia essa celebração; há ainda quem busque alcançar a aprovação pública pelo valor efetivo de uma mais alta realização criativa. Essa busca, para desgraça nossa, é sofrida, e pode nos levar a dançar de um lado para outro. A saída estaria em identificarmos precisamente qual é a nossa vocação, para estabelecermos a partir dela os contornos da nossa ambição.
(TOLEDO, Cristiano. A publicar)
Alguém deveria dizer ao Pestana: – Deixa de lamentar essa tua viva produção popular, goza o prestígio que já alcançaste!
Ao transpor a frase acima para o discurso indireto, ela deverá ficar: Alguém deveria dizer ao Pestana
- que deixasse de lamentar aquela sua viva produção popular, que gozasse o prestígio já alcançado.
- porque não deixasse de lamentar a produção popular, para assim gozar teu prestígio já alcançado!
- se ele não deveria deixar de lamentar essa sua produção popular em vez de gozar o prestígio que já se alcançara.
- para que ele deixe de lamentar esta produção popular, gozando esse prestígio já alcançado.
- para não lamentar tua viva produção popular, porque não gozava do prestígio que ela já alcançou.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A transformação adota a estrutura de discurso indireto, iniciando-se por: Alguém deveria dizer ao Pestana que... e convertendo a ordem em afirmação.
O comando no imperativo é passado para o pretérito imperfeito do subjuntivo, por causa do verbo principal no condicional: Deixa → deixasse; goza → gozasse.
Os pronomes e demonstrativos são ajustados à 3.ª pessoa: essa → aquela; tua → sua. A referência verbal em 2.ª pessoa é igualmente neutralizada: alcançaste vira a forma passada impessoal já alcançado.
Resultado: Alguém deveria dizer ao Pestana que deixasse de lamentar aquela sua viva produção popular, que gozasse o prestígio já alcançado.
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