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Questão FC654959

Lembram-se da história de Tristão e Isolda?

Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Lembram-se da história de Tristão e Isolda? O enredo gira em torno da transformação da relação entre os dois protagonistas. Isolda pede à criada, Brangena, que lhe prepare uma poção letal, mas, em vez disso, ela prepara-lhe um “filtro de amor”, que tanto Tristão como Isolda bebem sem saber o efeito que irá produzir. A misteriosa bebida desperta neles a mais profunda das paixões e arrasta-os para um êxtase que nada consegue dissipar − nem sequer o fato de ambos estarem traindo infamemente o bondoso rei Mark. Na ópera Tristão e Isolda, Richard Wagner captou a força da ligação entre os amantes numa das passagens mais exaltadas da história da música. Devemos interrogar-nos sobre o que o atraiu para essa história e por que motivo milhões de pessoas, durante mais de um século, têm partilhado o fascínio de Wagner por ela.

 

A resposta à primeira pergunta é que a composição celebrava uma paixão semelhante e muito real da vida de Wagner. Wagner e Mathilde Wesendonck tinham se apaixonado de forma não menos insensata, se considerarmos que Mathilde era a mulher do generoso benfeitor de Wagner e que Wagner era um homem casado. Wagner tinha sentido as forças ocultas e indomáveis que por vezes conseguem se sobrepor à vontade própria e que, na ausência de explicações mais adequadas, têm sido atribuídas à magia ou ao destino. A resposta à segunda questão é um desafio ainda mais atraente.

 

Existem, com efeito, poções em nossos organismos e cérebros capazes de impor comportamentos que podemos ser capazes ou não de eliminar por meio da chamada força de vontade. Um exemplo elementar é a substância química oxitocina. No caso dos mamíferos, incluindo os seres humanos, essa substância é produzida tanto no cérebro como no corpo. De modo geral, influencia toda uma série de comportamentos, facilita as interações sociais e induz a ligação entre os parceiros amorosos.

 

Não há dúvida de que os seres humanos estão constantemente usando muitos dos efeitos da oxitocina, conquanto tenham aprendido a evitar, em determinadas circunstâncias, os efeitos que podem vir a não ser bons. Não se deve esquecer que o filtro de amor não trouxe bons resultados para o Tristão e Isolda de Wagner. Ao fim de três horas de espetáculo, eles encontram uma morte desoladora.

 

(Adaptado de: DAMÁSIO, António. O erro de Descartes. São Paulo: Companhia das Letras, edição digital)

 

Lembram-se da história de Tristão e Isolda?

 

Transposto para o discurso indireto, o trecho acima assume a seguinte redação:

  1. Ele perguntou: vocês se lembram da história de Tristão e Isolda?
  2. Ele perguntou se nós nos lembrávamos da história de Tristão e Isolda.
  3. Ele perguntou-nos se acaso lembráramos da história de Tristão e Isolda.
  4. Ele pergunta a vocês se lembram da história de Tristão e Isolda.
  5. Ele pergunta se se lembraram da história de Tristão e Isolda.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na transformação para o discurso indireto, a pergunta original “Lembram-se da história de Tristão e Isolda?” é apresentada com as palavras do narrador, por isso inicia-se com «Ele perguntou» no passado, pois o enunciado reporta ato já ocorrido.

O verbo da oração subordinada passa do presente para o pretérito imperfeito: «lembram-se» → «lembrávamos». A interrogação torna-se oração declarativa introduzida pela conjunção «se»: «Ele perguntou se nós nos lembrávamos da história de Tristão e Isolda.»

O pronome "nos" indica que a pergunta se dirigia aos leitores (1.ª pessoa do plural) e pode aparecer explícito ou subentendido pela flexão verbal. Assim obtém‑se a forma correta do gabarito.

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