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Questão FC654983

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo. A cabeça do caboclo é muito diferente da cabeça de quem mora na cidade e vive exposto aos meios de comunicação de massa. Cab

Linguagem

FCC · 2026

Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

A cabeça do caboclo é muito diferente da cabeça de quem mora na cidade e vive exposto aos meios de comunicação de massa. Caboclo é a gente mais real-fantasiosa que há. Ao mesmo tempo que é desconfiado, como seus ancestrais indígenas, é também muito crédulo. Admira a retórica na boca de gente elegante e enganadora. Concebe-se como o matuto não merecedor de privilégios dos entendidos. São sonhadores, mas sabem como ninguém que sonho é só para se sonhar e deve ficar sempre somente na cabeça. Caboclo gosta mesmo é da orgia da mata, com a excelsa cantoria da passarinhada, de insetos, de répteis e de mamíferos selvagens ou domesticados. Embebeda-se com o cheiro das plantas nativas e capins ou árvores plantadas. Reverencia a água, uma de suas maiores fontes de alimentação. A natureza é sua maior sedutora e musa inspiradora. Caboclo não se casa. Junta-se. E comunga tudo com a(o) companheira(o): trabalho, esperança, sonhos, pesares, ignorâncias, enfados, boia, pirão, alegrias e prazeres caboclos. E nem precisa de cartório para legalizar as coisas. Vale a palavra de honra do caboclo. Cartório é coisa para o citadino, que deve se precaver do calote civilizado. Mas caboclo também não é santo. Mente. E quando mente, jura por todos os santos que está falando a verdade. Cruel é o coração que não lhe acredita. A mulher cabocla não engravida. Embucha. Fica de barriga. Emprenha. No mato, esta não sofre dos melindres da mulher urbana. Tudo o que vier a sentir faz parte da trama da multiplicação.

 

(Adaptado de: SANTOS Janete. Ideologia cabocla. 61 cronistas do Amapá, 2020)

 

Na frase “Caboclo gosta mesmo é da orgia da mata”, a linguagem assume um tom de:

  1. hipérbole – destaque exagerado à ausência de civilidade e contenção moral.
  2. ironia – expressão de desprezo pelo modo de vida rústico do homem rural.
  3. comparação – relação explícita de semelhança entre floresta e desordem moral.
  4. metáfora – associação simbólica da natureza ao prazer e à plenitude dos sentidos.
  5. eufemismo – suavização do contato físico com o ambiente natural.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Metáfora é a figura presente em “Caboclo gosta mesmo é da orgia da mata”. A expressão não descreve um evento literal, mas usa um termo forte para representar algo diferente.

Ao chamar a mata de orgia, a autora transmite, de forma simbólica, a ideia de intensa e voluptuosa experiência sensorial proporcionada pelo ambiente natural.

O texto corrobora isso ao detalhar sons, cheiros e a relação afetiva com a água e as plantas, mostrando que a frase traduz uma profusão sensorial e uma vivência plena, e não uma ideia moral ou literal.

Assim, metáfora é a resposta adequada porque realiza uma associação simbólica entre a natureza e o prazer e a plenitude dos sentidos.

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