Questão FC654989
Janelas sobre o Saara Redemoinhos erigem rosas rosas fugidias em vórtices que não se cumprem pois tudo em ti, deserto, é a longa espera do horizonte. Fulva tua cor, fulvos teus cam
Linguagem
FCC · 2026
Janelas sobre o Saara
Redemoinhos
erigem rosas
rosas fugidias
em vórtices que não se cumprem
pois tudo em ti, deserto,
é a longa espera do horizonte.
Fulva tua cor, fulvos teus camelos,
lentos barcos da longa travessia.
Nas dunas nasce o sol,
rugindo.
A sede acorda, alongam-se as caravanas.
O céu é uma pupila imensa, dilatada,
e a sombra dos corpos, o repouso adiado,
além, na imensidão.
(SILVA, Dora Ferreira da Silva. Poesia Reunida. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999)
No poema, compara-se a imagem de
- camelos à de barcos lentos.
- redemoinhos à de rosas fugidias.
- dunas à do horizonte.
- caravanas à de uma longa espera.
- uma travessia à de uma pupila dilatada.
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Gabarito
A
Comentário do professor
No poema, o verso "Fulva tua cor, fulvos teus camelos, lentos barcos da longa travessia" estabelece a comparação entre camelos e barcos lentos.
A imagem converte o deserto em um mar de areia, fazendo dos camelos embarcações que avançam pela imensidão. O adjetivo lentos destaca o ritmo cadenciado e a resistência exigida pela travessia.
Esse artifício metafórico reforça a sensação de jornada prolongada, espera pelo horizonte e solidão da caravana. A analogia cria uma cena épica de deslocamento paciente e contínuo.
Assim, o recurso poético compara explicitamente os camelos a barcos vagarosos, sublinhando a dimensão lenta e obstinada da travessia.
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