Questão FC654991
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte. O individualismo e as instituições Quando as instituições são frágeis e não funcionam, podem prevalecer as amarras da prepotê
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FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
O individualismo e as instituições
Quando as instituições são frágeis e não funcionam, podem prevalecer as amarras da prepotência e do oportunismo violento. Na falta de normas legais que funcionem, na falta de uma representação atuante e legítima do Estado na vida social, a condição da "terra sem lei" tende à barbárie.
Exemplo disso forneceu o cinema norte-americano quando, em meados do século passado, inundou o mundo e a imaginação popular com filmes do gênero "western", supostos documentários da conquista do oeste. Uma situação padrão era representada nesses filmes: na pequena e remota cidade recém-formada, o poder local era manipulado por malfeitores poderosos, que submetiam aos seus interesses o xerife e a o juiz. A "lei" servia assim de fachada para o império da autocracia e do crime, e a impunidade ameaçava ser eterna.
Mas eis que chegava o "mocinho": um homem vindo não se sabe de onde, solitário, lacônico, hábil no manejo das armas, intrépido, capaz de enfrentar e derrotar sozinho os poderosos locais -o que fazia com bravura e frieza, até deixar a cidade pacificada e sumir para sempre no horizonte, sob o olhar dos cidadãos agradecidos.
A "mensagem" desses filmes? Haveria, dentro de indivíduos especiais, um impulso natural para a justiça e a virtude, capaz de mudar a ordem das coisas. As virtudes inatas dessa liderança singular refundariam as instituições suprimidas. A figura de um herói solitário estaria na base da legitimação da ordem pública, quando esta fosse comprometida. Não deixa de ser uma forma de atribuir a uma liderança pessoal a missão de promover as instituições que tenham por escopo o bem público. Dito de outro modo: a moralidade desejável das instituições sociais já estaria presente, em gérmen, no indivíduo essencialmente virtuoso, capaz de reconduzir uma comunidade a um patamar da civilização.
(Bruno Rosa de Alcântara, a editar)
Constitui-se um paradoxo na seguinte formulação:
- a saga dos mocinhos do cinema norte-americano supõe um padrão de conduta.
- sendo frágeis as instituições, prevalecem as amarras da prepotência.
- nos primeiros povoados predominava a manipulação dos poderes.
- um voluntarismo pessoal propicia a ordenação dos interesses públicos.
- a virtude solitária está na raiz da concepção do "mocinho" do cinema.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A opção aponta um paradoxo porque contrapõe duas fontes distintas de ordenação social: a autoridade das instituições e a ação isolada de um indivíduo.
No texto, a cidade sem instituições legitima a violência; a restauração da ordem ocorre graças a um herói solitário. Assim, um voluntarismo pessoal acaba por cumprir função pública: organizar interesses coletivos e impor justiça.
O paradoxo reside em aceitar que a manutenção do bem público dependa de uma ação privada excepcional, quando, em termos conceituais, essa função deveria advir de normas, procedimentos e legitimidade institucional.
Esse contraste suscita crítica normativa: embora eficaz no enredo, a solução heroica tensiona princípios do Estado de direito e da legitimidade democrática.
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