Questão FC655000
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Ai de ti, Ipanema Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana,
Linguagem
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Ai de ti, Ipanema
Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.” Era umaexortação bíblica, apocalíptica, profética, ainda que irônica e hiperbólica. “Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.”
Na sua condenação, o Velho Braga antevia os sinais da degradação e da dissolução moral de um bairro prestes a ser tragado pelo pecado e afogado pelo oceano, sucumbindo em meio às abjeções e ao vício: “E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face”.
A praia já chamada de “princesinha do mar”, coitada, inofensiva e pura, era então, como Ipanema seria depois, a síntese mítica do hedonismo carioca, mais do que uma metáfora, uma metonímia.
No fim dos anos 50, Copacabana era o éden não contaminado ainda pelos plenos pecados, eram tempos idílicos e pastorais, a era da inocência, da bossa nova, dos anos dourados de JK, de Garrincha. Digo eu agora: Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego, e tomaste o lugar de Copacabana, e não percebeste os sinais que não são mais simbólicos: o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas negras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte.
(Adaptado de: VENTURA, Zuenir. Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 166/167)
Na versão integral dessa crônica, o autor, acertadamente, justifica a classificação retórica mais do que uma metáfora, uma metonímia (3o parágrafo), com o complemento:
- ressalvado este meu exagero.
- tal como ocorre com todos os símbolos.
- se me permitem personificar.
- uma vez cabível a comparação.
- a parte condensando o todo.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Errado
Comentário do professor
Metonímia é a figura em que um elemento substitui outro por relação de contiguidade ou afinidade; não há comparação, há ampliação do sentido.
Quando se diz que é "a parte condensando o todo", entende-se que um fragmento representativo passa a nomear a totalidade a que pertence.
No texto, Copacabana funciona como essa parte significativa: a praia resume traços sociais e culturais que se estendem ao conjunto social. Assim, o nome do lugar vale pelo fenômeno mais amplo que ele encapsula.
Em termos práticos, a metonímia permite economizar linguagem e evocar um universo inteiro por meio de um elemento revelador. É esse uso condensado que justifica a leitura: a parte (a praia) representa o todo (o espírito hedonista da cidade).
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em