Questão FC655009
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O rio de minha terra é um deus estranho. Ele tem braços, dentes, corpo, coração, muitas vezes homicida, foi ele quem l
Linguagem
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
O rio de minha terra é um deus estranho. Ele tem braços, dentes, corpo, coração, muitas vezes homicida, foi ele quem levou o meu irmão.
É muito calmo o rio de minha terra.
Suas águas são feitas de argila e de mistérios. Nas solidões das noites enluaradas a maldição de Crispim desce sobre as águas encrespadas.
O rio de minha terra é um deus estranho.
Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole para subir as poucas rampas do seu cais. Foi conhecendo o movimento da cidade, a pobreza residente nas taperas marginais.
Pois tão irado e tão potente fez-se o rio que todo um povo se juntou para enfrentá-lo. Mas ele prosseguiu indiferente, carregando no seu dorso bois e gente, até roçados de arroz e de feijão.
Na sua obstinada e galopante caminhada, destruiu paredes, casas, barricadas, deixando no percurso mágoa e dor.
Depois subiu os degraus da igreja santa e postou-se horas sob os pés do Criador.
E desceu devagarinho, até deitar-se novamente no seu leito.
Mas toda noite o seu olhar de rio fica boiando sob as luzes da cidade.
(Adaptado de: MORAES, Herculano. O rio da minha terra. Disponível em: https://www.escritas.org)
A figura de linguagem predominante no verso "O rio de minha terra é um deus estranho” é a
- metáfora.
- hipérbole.
- comparação.
- personificação.
- metonímia.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"O rio de minha terra é um deus estranho" classifica-se como metáfora. Nela, o autor substitui implicitamente uma ideia por outra: o rio é apresentado como se fosse um deus, sem usar palavras comparativas como "como" ou "tal qual".
Esse procedimento aproxima dois termos por identidade simbólica, transferindo ao rio qualidades atribuídas a um deus, como poder, autonomia e potencial destrutivo.
A metáfora intensifica a imagem poética e concentra sentido em poucas palavras, tornando mais vívida a interpretação do leitor. Exemplo simples: “Ele é um touro” funciona do mesmo modo, atribuindo força humana a um animal ou vice‑versa.
No poema, a metáfora justifica e reforça as ações descritas em seguida, explicando a dimensão quase sobrenatural das cheias.
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