Questão FC655100
Atenção: Para responder a questão a seguir, baseie-se no texto abaixo. Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Atenção: Para responder a questão a seguir, baseie-se no texto abaixo.
Todos sabemos que a nossa época é profundamente bárbara, embora se trate de uma barbárie ligada ao máximo de civilização. Penso que o movimento pelos direitos humanos se entronca aí, pois somos a primeira era da história em que teoricamente é possível entrever uma solução para as grandes desarmonias que geram a injustiça contra a qual lutam os homens de boa vontade, à busca não mais do estado ideal sonhado pelos utopistas racionais que nos antecederam, mas do máximo viável de igualdade e justiça.
Mas esta verificação desalentadora deve ser compensada por outra mais otimista: nós sabemos que hoje os meios materiais necessários para nos aproximarmos desse estágio melhor existem, e que muito do que era simples utopia se tornou possibilidade real. Quem acredita nos direitos humanos procura transformar a possibilidade teórica em realidade. Inversamente, um traço sinistro do nosso tempo é saber que é possível a solução de tantos problemas e ainda assim não se empenhar nela.
(CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. Adaptado)
No texto, Antonio Candido destaca
- a coexistência paradoxal entre a barbárie e o ápice da civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos se insere nessa tensão.
- a negação da barbárie por parte dos que defendem os valores do progresso civilizatório, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos ratifica esta mesma negação.
- o surgimento do movimento pelos direitos humanos como resquício de retrocessos históricos, sugerindo que tal movimento sobrepuja a barbárie.
- o retrocesso histórico dos dias de hoje, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos prescinde dos valores civilizatórios de épocas passadas.
- a oposição entre barbárie e civilização, sugerindo que o movimento pelos direitos humanos, ao tentar promover uma igualdade utópica, ignora essa dualidade.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Antonio Cândido observa a coexistência paradoxal entre uma época “profundamente bárbara” e o “máximo de civilização”.
Essa ideia central sinaliza que avanços materiais e culturais não eliminam práticas injustas; ao contrário, tornam mais visível a contradição entre progresso técnico e falhas éticas.
O autor conecta o movimento pelos direitos humanos a essa tensão: ele surge como resposta às desarmonias próprias de uma civilização avançada que ainda permite barbárie.
Portanto, a interpretação correta é reconhecer que Cândido aponta para uma situação dupla, em que a luta por igualdade e justiça nasce justamente da possibilidade e da necessidade de superar essa contradição.
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