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Questão FC655113

Considere o texto abaixo para responder a questão. Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Considere o texto abaixo para responder a questão.

 

Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente obsoletas: "Hoje, empresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes não precisam se contentar com modelos errados. Na verdade, elas não precisam mais se contentar com modelos". A psicologia ou sociologia orientada por dados torna possível prever e controlar com precisão o comportamento humano. As teorias estão sendo substituídas por dados diretos.

 

O Big Data, na verdade, não explica nada. Apenas revela correlações entre as coisas. Mas as correlações são a forma mais primitiva de conhecimento. Nada é compreendido nas correlações. O Big Data não é capaz de explicar por que as coisas se comportam da maneira como se comportam. Não são estabelecidas conexões causais nem conceituais.

 

A teoria como narração cria uma ordem de coisas, relacionando-as umas com as outras e explicando por que elas se comportam da maneira como se comportam. Em contraste com o Big Data, ela nos oferece a forma mais elevada de conhecimento, qual seja, a compreensão. O Big Data, por outro lado, é totalmente aberto.

 

A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as toma, com isso, apreensíveis O fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito. A inteligência artificial funciona muito bem sem o conceito. Inteligência não é espírito. Somente o espírito é capaz de uma nova ordem das |coisas, de uma nova narração. A inteligência calcula. O espírito, todavia, narra. Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia. Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.

 

A inteligência artificial não pode pensar porque não pode se apaixonar, porque não é capaz de uma narração apaixonada. Os diálogos de Platão já deixam claro que a filosofia é uma narração. A filosofia como ciência renega seu caráter narrativo originário. Ela se priva de sua linguagem. Emudece. Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim.

 

No instante em que a filosofia reivindica ser uma ciência, ser uma ciência exata, seu declínio começa.

 

(HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Trad. Daniel Guilhermino. Petrópolis: Editora Vozes, edição digital, 2023)

 

Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.

 

O pronome sublinhado refere-se, no contexto,

  1. à nova capacidade de narrar, derivada da inteligência que calcula.
  2. à teoria na forma de desfecho.
  3. à construção de teorias sem soluções.
  4. ao decaimento da capacidade de narrar.
  5. ao mau funcionamento da inteligência artificial.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Resposta: o pronome demonstrativo “isso” retoma o decaimento da capacidade de narrar.

No período imediatamente anterior lemos “Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia.” Esse enunciado introduz a ideia cuja consequência é apresentada a seguir.

A locução “com isso” exerce função conjuntiva e anafórica: refere-se à proposição precedente e sinaliza uma consequência. Logo, a frase seguinte (“a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado”) explica o efeito do enfraquecimento da narrativa.

Portanto, o referente de “isso” é a atrofia ou decaimento da capacidade de narrar, que torna a elaboração de teorias mais difícil e perigosa.

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