FC ConcursosFC Concursos

Questão FC655118

Escolha ética do sujeito Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Escolha ética do sujeito

 

Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tomado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

 

Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vítima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

 

Para Jung, o bem e o mal "constítuem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o Indivíduo [ ... ] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

 

Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos á ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da especifica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o malefício fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

 

(Silvério Tárrega, a editar)

Ao considerar os valores a que podemos sucumbir, Jung considera que

  1. nos momentos de perplexidade devemos avaliar a possibilidade de se escolher com ligeireza entre o bem e o mal.
  2. só os parâmetros marcadamente benévolos podem ser aceitos por nós sem qualquer restrição.
  3. a submissão ao mal é uma característica de quem não avaliou as vantagens inequívocas do bem.
  4. para virmos a adotar qualquer atitude ética precisamos confiar na nossa capacidade intuitiva.
  5. a mais grave das submissões está em nos resignarmos a acatar irrefletidamente normas externas de conduta.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

Alternativa correta: a mais grave submissão é acatar irrefletidamente normas externas de conduta.

Jung alerta que sucumbir não é apenas praticar o mal, mas renunciar à própria capacidade de julgar. Quando nos agarramos sem crítica a regras externas, perdemos a autonomia moral.

Essa aceitação automática transforma qualquer norma em algo cristalizado e imune a questionamento. Mesmo um aparente bem perde seu valor moral se nele nos deixamos levar sem reflexão.

Portanto, a gravidade reside na abdicação do pensamento ético: ao ceder ao conforto de pautas prontas, deixamos de responsabilizar‑nos pelas escolhas.

O remédio sugerido é cultivar o exame crítico e a consciência pessoal antes de seguir normas, preservando assim a integridade ética do indivíduo.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo