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Questão FC655119

Escolha ética do sujeito Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Escolha ética do sujeito

 

Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tomado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

 

Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vítima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

 

Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o Indivíduo [ ... ] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

 

Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos á ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da especifica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o malefício fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

 

(Silvério Tárrega, a editar)

 

A complexa e contraditória moral do homem pode ser deduzida da seguinte passagem do texto:

  1. nosso acatamento irrefletido de uma escolha.
  2. Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele.
  3. nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados.
  4. o bem e o mal "constituem, Juntamente, um todo paradoxal".
  5. nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D retoma literalmente a ideia central presente no texto: o autor cita Jung ao afirmar que o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal".

Isso significa que a moral humana é intrinsecamente ambígua e contraditória: os polos éticos não são isolados nem puramente opostos, mas coexistem e se entrelaçam na experiência humana.

Jung alerta que a adesão acrítica a regras externas ou a uma ideia de bem absoluta pode ocultar essa tensão, pois sucumbir cegamente ao que parece bom anula o juízo moral.

Portanto, a alternativa D exprime com fidelidade a conclusão do texto sobre a complexidade moral e a necessidade de reflexão consciente diante de valores aparentemente definidos.

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