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Questão FC655124

Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo. O anel que tu me deste Não guardei nem esqueci Ele nunca se quebrou Fui eu que me perdi O anel que tu me le

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo.

 

O anel que tu me deste

Não guardei nem esqueci

Ele nunca se quebrou

Fui eu que me perdi

 

O anel que tu me lembras

Meu escuro escondeu

Ele nunca se partiu

Quem partiu de si fui eu

 

Eu ainda não sabia

Que existia o puro dom

Que era feito de verdade

Desapego e solidão

 

Tudo então que nos unia

Numa voz e uma canção

Nele brilha solitário

Diamante escuridão

 

Sob a luz estroboscópica

Do agito de um salão

Que ainda dança a nossa volta

Com as décadas que se vão

 

Retiraste de teu dedo

Sem nenhuma hesitação

e o puseste com cuidado

Na palma da minha mão

 

Era a luz alucinada

De um estranho festival

Nada ali anunciava

O teu gesto e o cristal

O amor que tu me tinhas

Não tem nome nem lugar

Luz que vem da mesma liga

Do anel a nos ligar

(O anel. José Miguel Wisnik)

 

Um dos temas do poema é

  1. o contraste entre a permanência do anel e a fragmentação interior do eu lírico.
  2. a devoção a um anel mágico, anulador do tempo e da distância entre os amantes.
  3. a celebração do amor que perdura, simbolizado por um sólido anel de diamante.
  4. a crítica à impermanência dos bens materiais diante da feagilidade do afeto.
  5. a exaltaçao da juventude, representada pelo cenário de um festival.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O poema contrapõe a permanência do objeto simbólico e a fragmentação interior do sujeito. Desde o início o anel é apresentado como intacto: "Ele nunca se quebrou", enquanto o eu lírico admite a perda de si: "Fui eu que me perdi".

O anel funciona como sinal de ligação e continuidade, memória que resiste ao tempo. Já o eu lírico revela ruptura, esquecimento e deslocamento emocional, expresso em versos como "Quem partiu de si fui eu".

Imagens de brilho e escuridão, por exemplo "Diamante escuridão" e "luz alucinada", enfatizam o contraste entre aparência externa duradoura e o vazio interior do eu.

Assim, o tema central é esse jogo entre um vínculo imóvel e a dissolução subjetiva do eu lírico.

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