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Questão FC655125

Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo. O anel que tu me deste Não guardei nem esqueci Ele nunca se quebrou Fui eu que me perdi O anel que tu me le

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo.

 

O anel que tu me deste

Não guardei nem esqueci

Ele nunca se quebrou

Fui eu que me perdi

 

O anel que tu me lembras

Meu escuro escondeu

Ele nunca se partiu

Quem partiu de si fui eu

 

Eu ainda não sabia

Que existia o puro dom

Que era feito de verdade

Desapego e solidão

 

Tudo então que nos unia

Numa voz e uma canção

Nele brilha solitário

Diamante escuridão

 

Sob a luz estroboscópica

Do agito de um salão

Que ainda dança a nossa volta

Com as décadas que se vão

 

Retiraste de teu dedo

Sem nenhuma hesitação

e o puseste com cuidado

Na palma da minha mão

 

Era a luz alucinada

De um estranho festival

Nada ali anunciava

O teu gesto e o cristal

O amor que tu me tinhas

Não tem nome nem lugar

Luz que vem da mesma liga

Do anel a nos ligar

(O anel. José Miguel Wisnik)

 

Ao dialogar com uma pessoa (tu), o eu lírico

  1. acredita que o amor foi imaginário e nao deixará lembranças.
  2. reconhece seu desencontro interior, sem negar plenamente o passado vivido.
  3. constata que a autopunição é o meio mais eficaz de conquistá-la no presente.
  4. expressa remorso por ter perdido, no passado, um evento de que ela participou.
  5. reforça que ainda no presente a admira de modo velado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa indica que o eu lírico reconhece um desencontro interior sem negar o passado vivido. Isso fica claro em versos em que o sujeito assume a própria perda: Fui eu que me perdi e Quem partiu de si fui eu, que expressam autoconhecimento e fragmentação.

Ao mesmo tempo, o poema preserva a memória afetiva, mostrando que o passado não é apagado. Versos como Tudo então que nos unia, O amor que tu me tinhas e Do anel a nos ligar mantêm a presença do vínculo e do gesto que marcou a relação.

Assim, o eu lírico aceita sua perda interna, mas reconhece e conserva o valor do que houve, o que confirma a resposta correta.

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