Questão FC655132
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo. "O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis C
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão abaixo.
"O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"C Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;B quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.D
Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), que uma vez estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente:
- Isso é o maior verso da língua portuguesa!E
Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.A Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emílla, Emília, Emília, eu não posso mais".
(Adaptado de: BRAGA. Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
O cronista dirige-se diretamente a seu leitor (incluindo-o no próprio texto de sua crônica) no seguinte trecho:
- Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.
- Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública;
- "O Inferno são os outros" - diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Cios, e eu respondo: "eu que o diga!"
- quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto.
- estávamos nós dois num bar e no melo da conversa ele disse fremente: - Isso é o maior verso da língua portuguesa!
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Gabarito
D
Comentário do professor
Na frase "quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler Isto." o cronista dirige-se explicitamente ao leitor. Trata-se de um apelo direto, formulado em segunda pessoa de tratamento implícita, que conjuga condição e ordem polida.
O segmento inicial, "quem for pessoa discreta", identifica o destinatário da mensagem, enquanto "tenha a bondade de não continuar a ler Isto" funciona como um imperativo atenuado, uma instrução que convoca o leitor a agir.
Essa construção cria complicidade e delimita o público da crônica: o enunciador não narra apenas para si, mas chama alguém externo para participar do enunciado. É recurso típico do gênero para aproximar o leitor e marcar o tom coloquial.
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