Questão FC655142
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Compreensão do tempo histórico Quando cada instante do tempo que vivemos está vazio, ele não pode ser estimulado por uma expect
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Compreensão do tempo histórico
Quando cada instante do tempo que vivemos está vazio, ele não pode ser estimulado por uma expectativa promissora, por uma esperança. No entanto, se ele está sobrecarregado a ponto de explodir, fervilhando com o peso de todos os momentos anteriores, ele não dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente. Existe uma tensão entre a antecipação e a realização, entre o vazio do momento atual e a expectativa de que a qualquer momento ele será preenchido satisfatoriamente.
Para quem só se alimenta da ideia do progresso, todos os momentos são desvalorizados pelo fato de que cada um deles não passa de um degrau para o seguinte, o presente sendo uma prancha que desembarca no futuro. Cada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos que ainda virão, numa espécie de visão do progresso eterno.
A perspectiva de eternidade progressiva priva a história humana de seu caráter dramático, nela não se consegue perceber que não são os sonhos de que seus netos sejam livres que estimulam os homens e as mulheres a se revoltar, mas as lembranças de seus antepassados oprimidos. É o passado que nos fornece os recursos para ter esperança, e não simplesmente a possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante. É assim que o filósofo alemão Ernst Bloch pode falar do “futuro ainda não cumprido no passado”.
Devemos nos esforçar, portanto, para manter o passado inacabado, recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final, abrindo-o novamente ao reescrever sua fatalidade aparente sob o signo da liberdade crítica.
(Adaptada de EAGLETON, Terry. Esperança sem otimismo. Trad. Fernando Santos, São Paulo: Editora Unesp, 2023, p. 49-50)
A formulação do tempo proposta por Emst Bloch argumenta em favor da seguinte ideia do texto:
- possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante (3º parágrafo)
- recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento (4º parágrafo)
- não dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente (1º parágrafo)
- Cada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos (2º parágrafo)
- o presente sendo uma prancha que desembarca no futuro (2º parágrafo)
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa aponta que devemos recusar-nos a aceitar a aparência de encerramento do passado. O texto recupera a ideia de Ernst Bloch de que o passado não está definitivamente concluído, mas guarda possibilidades latentes.
Ao manter o passado inacabado, reabrimo-lo à crítica e à releitura: memórias de opressão tornam-se recursos para ação e fontes de esperança, não apenas vestígios consumados.
Essa posição está sintetizada na expressão "futuro ainda não cumprido no passado", que indica que o sentido do passado só se completa quando o projetamos criticamente rumo a mudanças.
Portanto, a alternativa correta resume a tese central do texto: é preciso recusar a ideia de que o passado é finalizado e, assim, preservar nele a força motivadora para transformar o presente e o futuro.
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