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Questão FC655158

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte. [A força necessária dos princípios] Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

 

[A força necessária dos princípios]

 

Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

 

Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

 

Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

 

Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

 

As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.

 

(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens

Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)

 

A convicção de que Agir por princípio e um gesto político tem como fundamento a

  1. idealização de comportamentos já aliviados do peso da moralidade.
  2. solidariedade de quem age em conexão ética com interesses comunitários.
  3. prática dos que sabem contemporizar com as fraquezas humanas.
  4. conduta de quem se desvia do nosso pântano de contradições.
  5. satisfação dos interesses dominantes na composição de uma sociedade.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Solidariedade é o fundamento porque o texto apresenta o ato de princípio como voltado para além do indivíduo: quem age principiadamente não busca apenas satisfazer a própria consciência, mas posiciona-se em favor de outras pessoas e comunidades.


Essa atitude estabelece uma conexão ética, isto é, um compromisso moral compartilhado que liga o agente a valores e demandas coletivas. Agir por princípio torna-se, assim, uma expressão de apoio mútuo e responsabilidade recíproca.


Por isso o gesto é dito político: não se refere a interesses particulares imediatos, mas a interesses comunitários e à defesa de princípios que beneficiam um grupo ou a sociedade como um todo.


Em suma, a justificativa é exatamente a solidariedade ética entre agentes que resistem em defesa de valores comuns.

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