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Questão FC655159

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte. [A força necessária dos princípios] Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

 

[A força necessária dos princípios]

 

Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

 

Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

 

Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

 

Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

 

As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.

 

(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens

Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)

 

A ideia central desenvolvida no parágrafo

  1. quinto é demonstrar que toda resistência histórica suprime a necessidade de negar.
  2. primeiro é ressaltar a importância relativa do senso comum, na conduta das pessoas.
  3. segundo consiste em justificar as violências sociais quando apoiadas em sólidos princípios.
  4. terceiro ilustra-se na dificuldade de se ajustar um ideal da consciência ao plano da realidade.
  5. quarto está em comprovar o sucesso dos princípios quando atrelados a um projeto político.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D é correta porque o terceiro parágrafo usa uma metáfora para mostrar o descompasso entre um princípio moral e a força da realidade.

No exemplo de alguém correndo ao lado de um trem e gritando "Pare! Pare!", a imagem evidencia a dificuldade prática de transformar um ideal de consciência em resultado concreto sobre o plano da realidade.

As perguntas retóricas do texto, como "O trem pode ser detido?", reforçam a ideia de que agir por princípio enfrenta limitações concretas e resistência social.

Assim, o parágrafo ilustra a tensão entre a intenção ética e os obstáculos materiais e coletivos que impedem a realização imediata desse ideal.

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