Questão FC655180
Excitação efêmera, sinal de tédio à espreita. Estará longe o dia em que toda essa pressa deixe de ser uma obsessão? Será que a adaptação triunfante aos novos tempos da velocidade m
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Considere o texto abaixo para responder à questão.
[Viver a pressa]
Há uma continuidade entre a lógica intensamente competitiva e calculista do mundo do trabalho e aquilo que somos e fazemos nas horas em que estamos fora dele.
O vírus da pressa alastra-se em nossos dias de uma forma tão epidêmica como a peste em outros tempos: a frequência do acesso a um website despenca caso ele seja mais lento que um site rival. Mais de um quinto dos usuários da internet desistem de um vídeo caso ele demore mais que cinco segundos para carregar.
Excitação efêmera, sinal de tédio à espreita. Estará longe o dia em que toda essa pressa deixe de ser uma obsessão? Será que a adaptação triunfante aos novos tempos da velocidade máxima acabará por esvaziar até mesmo a consciência dessa nossa degradação descontrolada?
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 88)
Ao avaliar a continuidade entre a lógica do trabalho e a que rege nossa vida fora dele o autor manifesta sua
- adesão ao valor positivo da excitação efêmera que essa continuidade ganha na modernidade.
- preocupação com a deterioração humana provocada pelo vírus da pressa em nossa vida contemporânea.
- indignação contra aqueles que subestimam a lógica competitiva e manifestam sua nostalgia de tempos mais calmos.
- rejeição ao fato de que só nos momentos de lazer negamos a lógica calculista do mundo do trabalho.
- crítica às condições ilógicas do mundo do trabalho, que não se reproduzem quando estamos fora dele.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Ao afirmar que há uma continuidade entre a lógica competitiva do trabalho e a vida fora dele, o autor evidencia uma postura de preocupação com os efeitos dessa dinâmica sobre a condição humana.
O uso da expressão “vírus da pressa” e a comparação com algo “epidêmico” sinalizam metáforas negativas: a pressa não é vista como virtude, mas como fator patológico que se dissemina.
Além disso, perguntas retóricas sobre a obsessão pela velocidade e a menção à “degradação descontrolada” mostram que o autor teme a perda de consciência crítica e o empobrecimento das experiências humanas.
Portanto, a alternativa B resume corretamente a intenção do texto: o autor manifesta apreensão quanto à deterioração humana provocada pelo vírus da pressa na vida contemporânea.
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