Questão FC655191
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Ponderação, a mais desmoralizada das virtudes Precisamos reabilitar a ponderação, nem que seja apenas como subproduto
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Ponderação, a mais desmoralizada das virtudes
Precisamos reabilitar a ponderação, nem que seja apenas como subproduto da perplexidadea, aquilo que faz o marinheiro levar o barco devagar sempre que o nevoeiro é denso. Como ocorre em nosso tempo.
O fogo selvagem que inflamou ao longo da história as turbas linchadoras do “diferente” que é visto como ameaça − corporificado em bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos − é hoje condenado por (quase) todo mundo.
No entanto, o mesmo fogo selvagem inflama as turbas linchadoras que se julgam investidas do direito sagradob de vingar bruxas, negros, judeus, homossexuais, loucos, ciganos, gagos etc. Quem acha que o primeiro fogo é ruim e o segundo é bom não entendeu nada.
Representa um inegável avanço civilizatórioc a exposição, nas redes sociais, de comportamentos opressivos ancestrais que sempre estiveram naturalizados em forma de assédio, desrespeito, piadinhas torpes e preconceitos variados. Ao mesmo tempo, é um claro retrocesso que o avanço se dê à custa da supressãod do direito de defesa e do infinito potencial de injustiçae contido no poder supremo de um juiz sem rosto.
(Sérgio Rodrigues, Folha de S. Paulo, 16/11/2017)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- apenas como subproduto da perplexidade = ainda que mero estímulo da inconformidade.
- se julgam investidas do direito sagrado = creem investir contra leis sacramentais.
- um inegável avanço civilizatório = um suposto progresso projetado.
- o avanço se dê à custa da supressão = a progressão se faça ao preço da eliminação.
- infinito potencial de injustiça = desmesurado atributo de ilegalidade.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O enunciado exige equivalência semântica: “o avanço” corresponde a “a progressão”, “se dê à custa” a “se faça ao preço” e “supressão” a “eliminação”. A alternativa D reproduz essa correspondência de forma direta e natural.
O segmento original comunica que um progresso pode ocorrer pagando um custo moral ou institucional. A expressão “se dê à custa” informa a ideia de sacrifício ou compensação, e a palavra “preço” mantém esse valor conotativo de perda exigida pelo avanço.
Quanto a “supressão”, trata-se da retirada ou neutralização de algo essencial; “eliminação” preserva essa noção de remoção efetiva. Assim, a tradução apresentada conserva tanto o sentido quanto o tom crítico do autor.
No contexto do texto, a formulação escolhida alerta que o progresso social não pode legitimar a perda de direitos, como o direito de defesa, nem abrir espaço para a injustiça.
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