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Questão FC655193

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O colégio de Tia Gracinha Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, er

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

O colégio de Tia Gracinha

 

Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, era irmã de minha avó paterna, mas tão mais moça que a tratava de mãe. Tenho do colégio de Tia Gracinha uma recordação em que não sei o que é lembrança mesmo e lembrança de conversa que ouvi menino.

 

Lembro-me, sobretudo, do pomar e do jardim do colégio, e imagino ver moças de roupas antigas, cuidando das plantas. O colégio era um internato de moças. Elas não aprendiam datilografia nem taquigrafia, pois o tempo era de pouca máquina e nenhuma pressa. Moças não trabalhavam fora. As famílias de Cachoeiro e de muitas outras cidades do Espírito Santo mandavam suas adolescentes para ali; muitas eram filhas de fazendeiros. Recebiam instrução geral, uma espécie de curso primário reforçado, o mais eram prendas domésticas. Trabalhos caseiros e graças especiais: bordados, jardinagem, francês, piano...

 

A carreira de toda moça era casar, e no colégio de Tia Gracinha elas aprendiam boas maneiras. Levavam depois, para as casas de seus pais e seus maridos, uma porção de noções úteis de higiene e de trabalhos domésticos, e muitas finuras que lhes davam certa superioridade sobre os homens de seu tempo. Pequenas etiquetas que elas iam impondo suavemente, e transmitiam às filhas.

 

Tudo isto será risível aos olhos das moças de hoje; mas a verdade é que o colégio de Tia Gracinha dava às moças de então a educação de que elas precisavam para viver sua vida. Não apenas o essencial, mas muito mais do que, sendo supérfluo e superior ao ambiente, era por isto mesmo, de certo modo, funcional – pois a função do colégio era uma certa elevação espiritual do meio a que servia. Tia Gracinha era o que bem se podia chamar uma educadora.

 

(Abril, 1979)

 

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 52-53)

 

No segundo parágrafo, entende-se que um internato de moças como o de Tia Gracinha

  1. era uma forma de compensar o conservadorismo masculino com o atendimento das inclinações vocacionais legitimamente femininas.
  2. existia para poupá-las da tentação de se ocupar em atividades reservadas aos homens, como as exigidas pelas máquinas e pela velocidade moderna.
  3. funcionava como uma forma de democratização, reservando-se algum espaço para as adolescentes de famílias economicamente mais frágeis.
  4. privilegiava, no que dizia respeito às mulheres, um encaminhamento funcional considerado digno das filhas das classes dominantes.
  5. atendia a exigências que partiam das mulheres mesmas, dispostas a tornarem exclusivo um aprendizado que só a elas dizia respeito.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Resposta D está correta porque o enunciado afirma que o internato orientava as moças para um papel socialmente útil e valorizado dentro de seu meio.


O texto descreve a oferta de "instrução geral" e sobretudo as chamadas "prendas domésticas" — bordados, jardinagem, francês, piano — e o ensino de boas maneiras. Essas formações não visavam capacitação profissional ampla, mas preparar as alunas para o casamento e para a gestão do lar.


Além disso, o autor destaca que muitas alunas eram filhas de fazendeiros e que a escola promovia uma certa "elevação espiritual do meio". Isso mostra que o internato atendia às expectativas e ao estatuto das famílias dominantes, transmitindo comportamento e refinamento considerados dignos para suas filhas.


Em suma, o colégio privilegiava um encaminhamento funcional e socialmente adequado às jovens das classes dominantes, consolidando papéis de gênero e prestígio familiar.

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