Questão FC655196
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. A profecia de Frankenstein Em 1818, Mary Shelley publicou Frankenstein, a história de um cientista que tenta criar um
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
A profecia de Frankenstein
Em 1818, Mary Shelley publicou Frankenstein, a história de um cientista que tenta criar um ser superior e, em vez disso, cria um monstro. Nos últimos dois séculos, essa história foi contada repetidas vezes em inúmeras variações, tornando-se o tema central de nossa nova mitologia científica. À primeira vista, a história de Frankenstein parece nos advertir de que, se tentarmos brincar de Deus e criar vida, seremos punidos severamente. Mas a história tem um significado mais profundo.
O mito de Frankenstein confronta o Homo sapiens com o fato de que os últimos dias deste estão se aproximando depressa. A não ser que alguma catástrofe nuclear ou ecológica intervenha, diz a história, o ritmo do desenvolvimento tecnológico logo levará à substituição do Homo sapiens por seres completamente diferentes que têm não só uma psique diferente como também mundos cognitivos e emocionais muito diferentes. Isso é algo que a maioria dos sapiens considera extremamente desconcertante. Gostaríamos de acreditar que, no futuro, pessoas exatamente como nós viajarão de planeta em planeta em espaçonaves velozes. Não gostamos de considerar a possibilidade de que, no futuro, seres com emoções e identidades como as nossas já não existam e que nosso lugar seja tomado por formas de vida estranhas cujas capacidades ofuscam as nossas.
De algum modo, encontramos conforto na fantasia de que o Dr. Frankenstein pode criar apenas monstros terríveis, a quem deveríamos destruir a fim de salvar o mundo. Gostamos de contar a história dessa maneira porque implica que somos os melhores de todos os seres, que nunca houve e nunca haverá algo melhor do que nós. Qualquer tentativa de nos melhorar inevitavelmente fracassará, porque, mesmo que nosso corpo possa ser aprimorado, não se pode tocar o espírito humano.
Teríamos dificuldade de engolir o fato de que os cientistas poderiam criar não só corpos, como também espíritos e de que os doutores Frankenstein do futuro poderiam, portanto, criar algo verdadeiramente superior a nós, algo que olhará para nós de modo tão condescendente quanto olhamos para os neandertais.
(HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 423-424)
O autor trata como ilusória a convicção, desde sempre alimentada pelo Homo sapiens, de que
- nossa extinção está se aproximando depressa.
- o ritmo do desenvolvimento tecnológico logo levará à substituição de nossa espécie.
- nosso lugar seja tomado por formas de vida estranhas.
- qualquer tentativa de nos melhorar inevitavelmente fracassará.
- algo olhará para nós de forma tão indulgente quanto olhamos para os neandertais.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O autor qualifica como ilusória a convicção de que qualquer tentativa de nos melhorar inevitavelmente fracassará.
No texto, ele afirma que gostamos de crer ser impossível tocar o espírito humano: "mesmo que nosso corpo possa ser aprimorado, não se pode tocar o espírito humano". Essa postura é apresentada como um conforto ilusório mantido pelo Homo sapiens.
Em seguida, o autor contrasta essa crença com a hipótese de que o desenvolvimento tecnológico pode produzir seres com psique e mundos emocionais distintos e possivelmente superiores, mostrando que a ideia da inevitável falha das melhorias humanas é questionável.
Assim, a alternativa D reflete precisamente a crítica explícita do texto à convicção considerada ilusória.
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