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Questão FC655202

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 1. Neide Gondim faz parte da primeira geração de pensadores da Universidade Federal do Amazonas empenhados em pensar a A

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.

 

1. Neide Gondim faz parte da primeira geração de pensadores da Universidade Federal do Amazonas empenhados em pensar a Amazônia em um movimento inverso do que, costumeiramente, é feito, ou seja, de dentro para fora. Sua obra reflete sobre o que pensavam os europeus que chegaram até a Amazônia pela primeira vez no século 16. Esses conquistadores ganharam a vez de contar a história e o fizeram do ponto de vista de onde partiram.

 

2. Em livros como “A invenção da Amazônia”, Neide Gondim reconstrói brilhantemente os caminhos desse pensamento, que veio a fundar uma tradição estética sobre a Amazônia, em que predomina o paradoxal, o hiperbólico, o contraditório, o infernal e o paradisíaco. A autora redesenha o pensamento europeu dos homens que se atiraram ao mar em busca de comprovar as teorias especulativas sobre o mundo medieval. Ela identifica em sua bagagem duas lupas iluminadas pelo imaginário fantástico: as escrituras bíblicas e o Oriente conhecido por meio de livros e relatos de viagens.

 

3. É por meio dessa literatura, que serve até hoje de documento histórico, que Neide Gondim vai trançando as imagens que se projetaram sobre o país das amazonas nas Américas e, desse modo, descortina as representações europeias sobre a região que hoje conhecemos como Amazônia.

 

4. A autora identifica uma obsessão do europeu medieval: encontrar o paraíso sobre a terra, longe da fome e da peste que assolavam a Europa medieval.

 

5. Quando se aventuraram mais adentro das Américas, os europeus pensaram ser o grande rio um mar de águas doces. Nele buscaram encontrar a exuberância fantástica da Índia e as guerreiras amazonas, cuja imagem carregavam consigo devido à forte influência da Grécia Antiga.

 

6. O primeiro relato data de 1542, do cronista Gaspar de Carvajal, que acompanhava Francisco de Orellana na primeira descida pelo rio, vindo do Peru em direção ao Atlântico. Neide Gondim identifica os mesmos recursos utilizados por Marco Polo ao falar sobre o Oriente nas descrições de Carvajal. Carvajal afirma ter guerreado com as amazonas; dá a localização do Rio de Ouro que levaria até Manoa, a capital de ouro das amazonas; ao mesmo tempo, descreve o curso dos rios com precisão de navegador.

 

7. Muitas teorias floresceram durante os séculos seguintes na tentativa de explicar toda a novidade encontrada nas Américas. Darwin colocou as gentes da Amazônia na primeira idade evolutiva da humanidade; a Amazônia seria como um grande museu natural. O determinismo de Buffon afirmava que essas gentes não conseguiram evoluir em consequência do clima quente. Montaigne via na ausência do rei a evolução paradisíaca para onde o europeu deveria seguir. Locke via na ausência do Estado a causa da degeneração daquelas gentes.

 

8. Tais ideias se difundiram por meio da ciência, da filosofia, das letras. Seus traços fantásticos são revestidos de verdade científica a partir do argumento de autoridade. Essas ideias estigmatizaram as gentes da Amazônia como primitivos, indolentes, infantis e bestializados. Estigmatizaram também a floresta como uma entidade fantástica distante e desconhecida no imaginário mundial.

 

9. Para Neide Gondim, a representação hiperbólica da Amazônia é uma tentação de que quase ninguém escapa. Para a autora, essa representação edênica começou no imaginário medieval sobre o incompreensível Oriente e a desconhecida América. Toda essa trança imaginária é apresentada com muita leveza e habilidade na obra de Neide Gondim.

 

(Adaptado de: DASSUEM, Nogueira. Disponível em: www.amazonamazonia.com.br)

 

No contexto, o “argumento de autoridade” (8º parágrafo) de que fala a autora refere-se àquele que

  1. reflete o modo de pensar da maioria das pessoas, sendo aceito por consenso em determinado contexto sociocultural.
  2. se baseia na credibilidade de alguém cujo saber notório é publicamente reconhecido.
  3. deriva da análise de dados mensuráveis comumente reunidos em relatórios e pesquisas.
  4. provém de raciocínios lógicos efetuados a partir de conhecimentos científicos prévios.
  5. se justifica a partir de relações de semelhança entre fenômenos observados na realidade concreta.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Argumento de autoridade é o recurso que fundamenta uma afirmação na credibilidade de uma pessoa, grupo ou instituição cujo saber é publicamente reconhecido. Em vez de apresentar provas diretas, recorre-se ao aval de quem tem prestígio técnico ou intelectual para tornar a ideia mais aceitável.

Na prática, funciona assim: ao citar um especialista renomado ou uma instituição respeitada, o enunciador transfere parte da confiança daquele agente para a proposição defendida. Esse procedimento costuma aumentar a persuasão do discurso, especialmente quando o público desconhece os dados ou métodos subjacentes.

Importante notar que o argumento de autoridade é útil para conferir peso, mas não prova a veracidade absoluta de uma afirmação; autoridades podem errar, por isso é preferível complementá‑lo com evidências e raciocínio crítico.

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