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Questão FC655205

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Ai de ti, Ipanema Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana,

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Ai de ti, Ipanema

 

Há muitos anos, Rubem Braga começava assim uma de suas mais famosas crônicas: “Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas.” Era uma exortação bíblica, apocalíptica, profética, ainda que irônica e hiperbólica. “Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum.”

 

Na sua condenação, o Velho Braga antevia os sinais da degradação e da dissolução moral de um bairro prestes a ser tragado pelo pecado e afogado pelo oceano, sucumbindo em meio às abjeções e ao vício: “E os escuros peixes nadarão nas tuas ruas e a vasa fétida das marés cobrirá tua face”.

 

A praia já chamada de “princesinha do mar”, coitada, inofensiva e pura, era então, como Ipanema seria depois, a síntese mítica do hedonismo carioca, mais do que uma metáfora, uma metonímia.

 

No fim dos anos 50, Copacabana era o éden não contaminado ainda pelos plenos pecados, eram tempos idílicos e pastorais, a era da inocência, da bossa nova, dos anos dourados de JK, de Garrincha. Digo eu agora: Ai de ti, Ipanema, que perdeste a inocência e o sossego, e tomaste o lugar de Copacabana, e não percebeste os sinais que não são mais simbólicos: o emissário submarino se rompendo, as águas poluídas, as valas negras, as agressões, os assaltos, o medo e a morte.

 

(Adaptado de: VENTURA, Zuenir. Crônicas de um fim de século. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 166/167)

 

Ao qualificar a linguagem de Rubem Braga em sua crônica “Ai de ti, Copacabana”, Zuenir Ventura se vale dos termos exortação e condenação, para reconhecer no texto do Velho Braga,

  1. a tonalidade grave de uma invectiva.
  2. a informalidade de um discurso emocional.
  3. o coloquialismo de um lírico confessional.
  4. a retórica argumentativa dos clássicos.
  5. a força épica de uma celebração.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Exortação e condenação indicam, no texto de Rubem Braga, um discurso dirigido com força crítica e moralizante. Esses termos revelam uma atitude de advertência solene e de reprovação enfática, não apenas uma observação neutra.

Uma invectiva é um ataque verbal veemente, acusatório e carregado de emoção; quando qualificada como tonalidade grave, aponta para um tom solene, profético e apocalíptico, como o do trecho que começa por "Ai de ti, Copacabana" e descreve imagens de ruína e degradação.

As figuras hiperbólicas e o léxico de juízo moral transformam a crônica em um pronunciamento condenatório. Assim, a escolha de Zuenir Ventura reconhece corretamente a presença de uma tonalidade grave de invectiva no texto.

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