Questão FC655208
Atenção: Para responder à questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se nas quatro estrofes abaixo, extraídas do poema “Graciliano Ramos:”, de João Cabral de Melo Neto. O poema é um tributo ao autor de Vidas secas, com cuja linguagem João Cabral se mostra bastante identificado.
Graciliano Ramos:
Falo somente com o que falo: com as mesmas vinte palavras girando ao redor do sol que as limpa do que não é faca [...] Falo somente do que falo: do seco e de suas paisagens, Nordestes, debaixo de um sol ali do mais quente vinagre [...] Falo somente por quem falo: por quem existe nesses climas condicionados pelo sol, pelo gavião e outras rapinas [...] Falo somente para quem falo: quem padece sono de morto e precisa um despertador acre, como o sol sobre o olho
Atentando para o nível expressivo e figurativo desse poema, deve-se reconhecer que
- a reiteração da imagem do sol nessa fala é também um combate contra a obscuridade de outros falares.
- a referência ao despertador ironiza a falácia do alerta que um escritor imagina promover em seu discurso.
- a faca é utilizada para figurar a violência indesejável que por vezes se constata entre as próprias vítimas do flagelo climático.
- a expressão por quem falo aplica-se aos leitores que desconhecem o drama social representado nessa estrofe.
- a palavra Nordestes, utilizadas no plural, deixa de ser uma tipificação, aplicando-se às mais diferentes regiões do país.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A repetição da imagem do sol funciona no poema como uma metáfora de clareza e objetividade. Ao reaparecer em cada estrofe, o sol ilumina o falar do eu lírico, tornando-o limpo, direto e enxuto.
Figurativamente, essa luz afasta a obscuridade de falares confusos ou excessivamente ornamentados, revelando apenas as palavras que têm força e verdade, como indica a ideia de “limpar” no verso inicial.
Assim, o sol não é só clima nordestino, é um recurso expressivo que legitima um discurso claro e vigilante, destinado a acordar e esclarecer o leitor frente às realidades duras que o poema descreve.
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