Questão FC655214
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. A ingaia ciência A madureza, essa terrível prenda que alguém nos dá, raptando-nos, com ela, todo sabor gratuito de ofer
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
A ingaia ciência
A madureza, essa terrível prenda que alguém nos dá, raptando-nos, com ela, todo sabor gratuito de oferenda sob a glacialidade de uma estela,
a madureza vê, posto que a venda interrompa a surpresa da janela, o círculo vazio, onde se estenda, e que o mundo converte numa cela.
A madureza sabe o preço exato dos amores, dos ócios, dos quebrantos, e nada pode contra sua ciência
e nem contra si mesma. O agudo olfato, o agudo olhar, a mão, livre de encantos, se destroem no sonho da existência.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro Enigma)
Para o eu lírico, o advento da “madureza”
- traz consigo perdas irreparáveis.
- amplia os prazeres mundanos da existência.
- traz coragem para suportar os infortúnios.
- se dá apenas quando já se está diante da morte.
- torna o sujeito dependente e frágil.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Para o eu lírico, a madureza inaugura um processo de privação definitiva: trata-se de perdas irreparáveis que não se recuperam com o tempo.
O poema a apresenta como “essa terrível prenda que alguém nos dá, raptando-nos”, imagem que revela um roubo de algo precioso e espontâneo. A expressão “todo sabor gratuito de oferenda” indica a perda do encanto e da gratuidade dos afetos e das experiências.
A sequência de imagens conclui a ideia: a surpresa da janela interrompida, o mundo convertido em “cela” e o eu lírico vendo o “preço exato dos amores” mostram a perda da ingenuidade, do sonho e da capacidade de se deixar tocar.
Ao afirmar que a madureza tem ciência contra a qual nada pode, o poema reforça o caráter irreversível dessas perdas.
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