Questão FC655228
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. [Ritmos da civilização] Se um camponês espanhol tivesse adormecido no ano 1.000 e despertado quinhentos anos depois, ao som dos
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
[Ritmos da civilização]
Se um camponês espanhol tivesse adormecido no ano 1.000 e despertado quinhentos anos depois, ao som dos marinheiros de Colombo a bordo das caravelas Nina, Pinta e Santa Maria, o mundo lhe pareceria bastante familiar. Esse viajante da Idade Média ainda teria se sentido em casa. Mas se um dos marinheiros de Colombo tivesse caído em letargia similar e despertado ao toque de um iPhone do século XXI, se encontraria num mundo estranho, para além de sua compreensão. “Estou no Céu?”, ele poderia muito bem se perguntar, “Ou, talvez, no Inferno?”
Os últimos quinhentos anos testemunharam um crescimento fenomenal e sem precedentes no poderio humano. Suponha que um navio de batalha moderno fosse transportado de volta à época de Colombo. Em questão de segundos, poderia destruir as três caravelas e em seguida afundar as esquadras de cada uma das grandes potências mundiais. Cinco navios de carga modernos poderiam levar a bordo o carregamento das frotas mercantes do mundo inteiro. Um computador moderno poderia facilmente armazenar cada palavra e número de todos os documentos de todas as bibliotecas medievais, com espaço de sobra. Qualquer grande banco de hoje tem mais dinheiro do que todos os reinos do mundo pré-moderno reunidos.
Durante a maior parte da sua história, os humanos não sabiam nada sobre 99,99% dos organismos do planeta – em especial, os micro-organismos. Foi só em 1674 que um olho humano viu um micro-organismo pela primeira vez, quando Anton van Leeuwenhock deu uma espiada através de seu microscópio caseiro e ficou impressionado ao ver um mundo inteiro de criaturas minúsculas dando volta em uma gota d’água. Hoje, projetamos bactérias para produzir medicamentos, fabricar biocombustível e matar parasitas.
Mas o momento mais notável e definidor dos últimos 500 anos ocorreu às 5h29m45s da manhã de 16 de julho de 1945. Naquele segundo exato, cientistas norte-americanos detonaram a primeira bomba atômica em Alamogordo, Novo México. Daquele ponto em diante, a humanidade teve a capacidade não só de mudar o curso da história como também de colocar um fim nela. O processo histórico que levou a Alamogordo e à Lua é conhecido como Revolução Científica. Ao longo dos últimos cinco séculos, os humanos passaram a acreditar que poderiam aumentar suas capacidades se investissem em pesquisa científica. O que ninguém poderia imaginar era em que aceleração frenética tudo se daria.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 257-259, passim)
A tese central do autor do texto é a de que
- a marcha da nossa civilização, desde os primórdios, vem ocorrendo numa progressão contínua, em ritmo tão regular como irrefreável.
- nos últimos cinco séculos a humanidade vem experimentando uma cada vez mais rápida sucessão de conquistas científicas.
- desde o início da Idade Média a tecnologia vem propiciando fulminantes avanços, sobretudo no campo das ciências naturais.
- o ritmo dos feitos mais recentes da nossa ciência parece ter sofrido relativa retração, se comparado ao de períodos anteriores.
- a inovação da área tecnológica depende de feitos históricos algo aleatórios, a partir dos quais tudo se revoluciona.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B expressa com precisão a ideia central do texto: que, nos últimos quinhentos anos, houve uma sequência de conquistas científicas cada vez mais rápida. O autor afirma que "Os últimos quinhentos anos testemunharam um crescimento fenomenal no poderio humano" e ressalta a aceleração frenética desse processo.
O texto exemplifica essa aceleração com imagens contrastantes (um camponês da Idade Média frente às caravelas versus um marinheiro diante de um iPhone), com avanços tecnológicos e científicos (microscópios, engenharia naval, poderio bélico moderno) e, sobretudo, com o marco de 16 de julho de 1945, quando a bomba atômica inaugura a capacidade humana de transformar e até extinguir a história, resultado da chamada Revolução Científica.
Portanto, a tese do autor é justamente a de uma sucessão cada vez mais rápida de conquistas científicas nos últimos cinco séculos.
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